A falta de consciência ambiental em questão no Brasil

Enviada em 27/10/2021

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e defeitos. No entanto, o que se observa no hodierno cenário brasileiro é o oposto do que prega o autor, uma vez que a falta de consciência ambiental apresenta barreiras que dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico, é fruto da falta de formulação de estratégias por parte do Estado e da desigualdade social. Diante disso, é fundamental a discussão desses aspectos para promover o pleno funcionamento da sociedade.

Primariamente, é fulcral pontuar a ineficiente atuação governamental no que concerne à criação de políticas públicas capazes de punir os indivíduos que, de alguma forma, agridam o meio ambiente. Consoante o sociólogo Émile Durkheim, no livro “A divisão do Trabalho Social”, a anomia é uma condição em que as normas sociais e morais são confundidas, pouco esclarecidas ou simplesmente ausentes. De maneira análoga a Durkheim, o país se encontra em estado de anomia, no que se refere à ausência de legislação específica capaz de resolver o embróglio.

Em segundo plano, é imperativo ressaltar a desigualdade social como promotora do problema. A Constituição Cidadã de 1988, garante a todos os cidadãos o direito, dentre outros, à educação. Contudo, a ausência de escolas nas periferias e bairros mais afastados dos grandes centros, faz com que uma grande parcela de crianças não frequente a escola e não desenvolva, desse modo, uma consciência ambiental ainda na infância, o que impede, também, que desfrutem de um direito constitucional na prática. Nessa conjuntura, segundo o contratualista John Lock, existe a quebra do “contrato social”, visto que o Estado não cumpre o seu papel como fornecedor de direitos mínimos. Tudo isso retarda a resolução do empecilho e contribui para o avanço desse quadro deletério.

Dessarte, com o intuito de mitigar o problema, o Tribunal de Contas deve direcionar capital que, por intermédio dos Ministérios da Educação e do Meio Ambiente, será revertido na construção de escolas nas periferias do país, com o fito de proporcionar o acesso garantido das crianças à escola; como também, na elaboração de um projeto de lei que vise punir com multa, todo o indivíduo flagrado a maltratar o meio ambiente. Assim, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, os impactos nocivos da falta da consciência ambiental no Brasil, e a coletividade alcançará a utopia de More. Afinal, como disse Peter Drucker, a melhor maneira de prever o futuro é criá-lo.