A falta de consciência ambiental em questão no Brasil

Enviada em 07/11/2021

Stefan Zweig, escritor austríaco refugiado no Brasil durante a Segunda Guerra Mundial, escreveu a obra “Brasil, País do Futuro”, tecendo inúmeros elogios à nação brasileira, evocando-a como um país onde em um futuro próximo estará livre de problemáticas sociais. Entretanto, no panorama contemporâneo, a ausência de consciência ambiental vai de encontro às palavras de Zweig, uma vez que denuncia uma das faces mais perversas da realidade brasileira. Esse cenário antagônico é fruto tanto da ineficiência do aparato legislativo nacional quanto da falta de informação sobre a existência do impasse.

Em primeira análise, é lícito postular que de acordo com o filósofo iluminista Jean D’alambert, é função do Estado a garantia do bem-estar e dos direitos inalienáveis de todo cidadão. No entanto, é perceptível que o poder público brasileiro falha em sua função primária, haja vista os impactos e as consequências causadas ao meio ambiente em face da ineficácia da responsabilização administrativa e penal da lei ambiental, na medida que os responsáveis pelas agressões destinadas ao meio ambiente, por muitas vezes, passam impunes, o que os instiga a continuar praticando esse crime. Desse modo, denota-se a potencial relação negativa entre a disfunção estatal apontada por D’alambert e a falta de consciência ambiental no Brasil.

Sob uma segunda abordagem, é lícito postular que de acordo com o filósofo A. Schopenhauer, os limites do campo de visão de um indivíduo determinam seu entendimento acerca do mundo que o envolve. Nessa linha de raciocínio, ao não ter conhecimentos de consciência ambiental, a sociedade não discute o imbróglio, por ter a concepção de que tal problemática faz parte de uma esfera longínqua de sua realidade. Nesse sentido, a falta de informação, ao fomentar a deturpação no campo crítico dos cidadãos, propicia diferentes tipos de ataque ao meio ambiente, desde mais leves a níveis elevados. Desse modo, assumindo que as medidas estatais acompanham os anseios da sociedade, o tal grupo não delibera com o poder público, o que torna o problema um fator inercial e tendente a permanência.

Torna-se claro, portanto, que a falta de consciência ambiental envolve intempéries de amplo espectro que devem ser solucionados. Para isso, é necessário que o Governo Federal, na figura do Ministério do Meio Ambiente, intensifique projetos de conscientização da população. Tal ação pode ser feita por meio do incentivo ao debate e à discussão, tanto em ouvidorias públicas, quanto entre o corpo social, sobre a importância da proteção à natureza e sobre as formas de combater sua destruição, com a finalidade de dar a devida dimensão do infortúnio e garantir a preservação do meio ambiente. Dessa forma, a profecia futurista de Zweig estará mais próxima de tornar-se realidade no país.