A falta de consciência ambiental em questão no Brasil
Enviada em 15/11/2021
A animação “Wall - E”, da Disney, representa um futuro distópico: após todos os recursos naturais terrestres esgotarem, os seres humanos precisam sobreviver fora da Terra. Consoante à abordagem do filme, a situação do meio ambiente é cada vez mais preocupante, visto que, segundo o relatório Planeta Vivo, estão sendo explorados 20% a mais de recursos ambientais que o recomendado. Diante disso, é urgente que haja consciência ambiental no Brasil, que é dificultada pela propagação de negacionismos e pela falta de abordagem interseccional desse tema.
Em primeira análise, é inegável que a propagação de ideias negacionistas é um obstáculo para a informação da sociedade. Como a falta de conscientização torna a população mais vulnerável a acreditar em informações duvidosas, é proveitoso para grandes empresas se beneficiarem dessa situação. Segundo a jornalista Stella Levantesi, diversas matérias do New York Times negando a crise climática e ambiental foram financiadas pela Mobil Oil, uma empresa petrolífera, que nitidamente lucra com a exploração ambiental. Assim, é evidente que é preciso que a população tenha acesso a dados confiáveis para construir sua consciência ambiental.
Em segunda análise, é um fator importante a falta de uma abordagem interseccional sobre as questões ambientais. À medida que as pautas ambientais são levadas para a sociedade de forma desconectada do seu cotidiano, o tema é distanciado cada vez mais das pessoas. Em contrapartida ao método freiriano, que utiliza o contexto no qual uma comunidade está inserida para fomentar o conhecimento e é uma das pedagogias mais reconhecidas no mundo, o discurso ambiental no Brasil é voltado apenas para grandes conferências, como se a discussão ecológica coubesse apenas a um grupo seleto de pessoas, que engloba políticos e empresários. Quando esse tema chega à população, costuma ser tratado de maneira individualista, que culpabiliza pessoas e hábitos pela crise ambiental. Em contraponto a esse pensamento, a professora Rita Von Hunty defende que que os indivíduos não sejam responsabilizados por um problema estrutural. Sendo assim, é preciso que essa discussão esteja em congruência com a luta de classes, a coletividade, as pautas dos povos originários e o fazer político.
Por conseguinte, é notável que, para haver consciência ambiental no Brasil, é preciso que esse assunto tenha uma abordagem confiável e adequada. Dessa forma, é função do Ministério da Educação e do Ministério do Meio ambiente promover a conscientização da população. Por meio de programas de formação ecológica para toda a população, que aborde o tema de forma profunda e crítica, a sociedade adquirirá consciência ambiental e será uma voz ativa contra a exploração ambiental, pressionando seus representantes e sendo sujeitos ativos da história.