A falta de consciência ambiental em questão no Brasil
Enviada em 16/11/2021
Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada a história de uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa, na realidade brasileira contemporânea, é o oposto do que o autor prega, uma vez que a falta de consciência ambiental impede a concretização da teoria de More. Dessa forma, convém analisar e discutir a negligência governamental e a ganância como fatores que corroboram a problemática em questão.
Sob esse viés, é importante ressaltar o descaso governamental com o meio ambiente como um dos fatores relevantes para a existência do problema. Nesse contexto, segundo a Constituição de 1988, todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado e é dever do Estado defendê-lo e preservá-lo. Entretanto, na prática, isso não ocorre de forma efetiva, visto que há uma deficiência na fiscalização dos empreendimentos com potencial poluidor elevado no Brasil. Como exemplo disso, temos as recentes tragédias de Brumadinho e Mariana, amplamente divulgadas pela mídia, que resultou na morte de muitas pessoas além de um impacto ambiental extremamente negativo na região. Desse modo, é possível afirmar que o poder público falha no seu dever constitucional, e por isso os cidadãos brasileiros têm seus direitos violados.
Além disso, verifica-se que a busca incessante por lucro é outro fator grave para a perpetuação do problema. Segundo o líder pacifista indiano Mahatma Gandhi, “ a natureza pode suprir todas as necessidades do homem, menos a sua ganância”. Nessa perspectiva, segundo o projeto MapBiomas, a agropecuária é responsável por noventa e oito por cento do desmatamento do Cerrado nos últimos 40 anos. Dessa maneira, o acúmulo de capital dessa atividade tem um custo ambiental alto, pois para cultivar monocultura e criar gado em larga escala o setor acaba com a vegetação nativa.
Torna-se evidente, portanto, que a falta de consciência ambiental é grave e não pode ser ignorada. Para mudar esse quadro, além de outras medidas, o Estado deve aumentar a fiscalização das indústrias, por meio da contratação e capacitação de profissionais especializados em meio ambiente para compor o IBAMA e o Ministério do Meio Ambiente. Isso pode ocorrer com a parceria com universidades federais e instituições de ensino estrangeiras difundindo os mais recentes estudos com foco na preservação ambiental e desenvolvimento sustentável. Outrossim, o Ministério da Economia deve incluir no currículo escolar a importância do meio ambiente para a população presente e futura. Assim, a sociedade brasileira poderá se aproximar daquela descrita por More.