A função do jovem no século XXI
Enviada em 21/09/2019
A jovem paquistanesa Malala Yousafzai, de apenas 22 anos, foi a pessoa mais nova a ganhar um Nobel da Paz e tornou-se um símbolo da luta pela educação após sofrer um atentado à sua vida por defender tal direito. Assim como Malala, a juventude personifica as mudanças no campo político, social e econômico que ocorrem na sociedade, devendo, com isso, fomentar os debates que levam a tais avanços. Nesse contexto, o jovem no século XXI possui um papel fundamental na colaboração social, contudo, vive uma grande frustração com as instituições pós-modernas.
Convém ressaltar, a princípio, que sob a perspectiva do filósofo Immanuel Kant, o indivíduo, bem como os demais ao seu redor, deve agir de modo que sua ação seja benéfica para todos, o que ele chama de imperativo categórico. De modo análogo, vê-se com o passar dos anos, o maior engajamento da comunidade juvenil, que passou a ocupar uma posição de destaque nas manifestações populares em prol das transformações sociais. De fato, o ano de 2013 ficou marcado com o protagonismo do jovem nas Jornadas de Junho, que inicialmente criticavam o aumento das tarifas do transporte público e logo mais passaram a questionar toda a estrutura da democracia representativa brasileira. Desde então, a participação desse grupo na construção de um futuro tornou-se imprescindível, sendo eles a principal força-motriz dessas mudanças.
Sob outra perspectiva, percebe-se com clareza a decepção dessa geração em relação às instituições clássicas. Nesse sentido, a frustração, sobretudo com a política, advém das diversas crises que o país tem enfrentado, além da falta de credibilidade que os representantes políticos atribuem aos questionamentos feitos pela juventude, colocando-os como pautas secundárias. Esse fato reflete nos dados do Tribunal Superior Eleitoral, segundo o qual apenas 23,8% dos jovens votaram nas últimas eleições, o que demonstra a falta de participação política da geração atual que não se sente adequadamente representada. Por outro lado, deve-se destacar que se política muda o futuro, são os jovens que mudam a política.
Diante disso, a juventude cumpre um papel imprescindível na sociedade contemporânea a partir de suas pautas e reivindicações, com isso, seu protagonismo deve ser reafirmado. Sendo assim, cabe ao Governo Federal oferecer melhores chances de participação e decisão dos jovens sobre o futuro e política brasileira, o que deverá ocorrer mediante a criação de secretarias subsidiárias do Ministério do Desenvolvimento, a serem lideradas por pessoas desse grupo que devem, por fim, levar suas pautas aos governantes, com o intuito de participar diretamente dos processos decisórios. Espera-se, enfim, que o mundo possa conhecer mais Malalas e suas colaborações sociais.