A função do jovem no século XXI

Enviada em 20/10/2020

Em maio de 1968, ocorria na França um movimento estudantil caracterizado pela renovação de valores, no qual os jovens viram sua influência aumentar, dando exemplos de rebeldia, resistência e sede por mudanças. Esse foi apenas um retrato do que viria pela frente. Com o tempo, eles passaram a estar cada vez mais presentes na vida social e política, demonstrando sua capacidade de transformar o mundo em um lugar melhor. Entretanto, observa-se ainda um grande bloqueio em sua maior participação nessas esferas da sociedade. Tal problemática persiste por raízes ideológicas que se encontram contrariadas pela realidade juvenil.

Em primeiro lugar, é importante destacar que a imagem dos jovens esteve sempre moldada em estereótipos. Nesse âmbito, persiste a ideia de que esses indivíduos não sejam responsáveis ou preocupados o suficiente, não podendo colaborar nem mesmo participar do contexto social. Essa concepção é bastante explorada pela mídia. Um exemplo é o filme “Juventude Transviada”, no qual é apresentada uma mocidade descontrolada, envolvendo-se em brigas, prisão e bebidas alcoólicas. Dessa forma, ocorre grande interferência no imaginário popular, já que este passa a produzir visões cada vez mais negativas do grupo.

Todavia, esses pensamentos não correspondem ao real, tendo em vista que a dimensão entre o final da adolescência e início da vida adulta abrange pessoas engajadas, que participam de manifestações, lutam pelos seus direitos e detêm o ideário da revolução. Além disso, são cidadãos que aceitam e respeitam mais as diferenças e a identidade de cada um. Nesse contexto, já dizia Sócrates que a juventude é definida por virtudes como pudor, amor, moderação, dedicação, justiça e educação. Assim, constata-se que essa faixa etária é detentora de qualidades excêntricas, isto é, fora do padrão, sendo capaz de enormes transformações.

Percebe-se, portanto, que os fatores de ordem ideológica impedem a maior atuação juvenil. Dessa maneira, mudanças são necessárias. É papel da mídia, como principal influenciadora de massas, a reprodução de concepções mais positivas da juventude, visando uma modificação da interpretação da sociedade para com ela e, como consequência, sua maior inclusão. Isso deve ser feito por meio da representação benéfica de novas gerações em filmes, músicas e propagandas, mostrando-as como comprometidas e conscientes acerca da realidade em que estão envolvidas. Destarte, formar-se-á uma coletividade aberta a variações, buscando sempre evoluir e alcançar melhores resultados.