A função do jovem no século XXI

Enviada em 22/12/2020

“Ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição genética”. A frase de Che Guevara resume o papel social dos jovens atualmente: desestruturar barreiras, enfraquecer paradigmas e conquistar mudanças necessárias. No entanto, o maior desafio é despertar a criticidade e o engajamento em uma realidade de opiniões fáceis e prontas, que não inspiram o pensamento e a transformação. Pode-se dizer, então, que os jovens, principais protagonistas da sociedade, “sofrem” com a falta de leitura e interpretação da realidade em que estão inseridos por meio da alienação. Primeiramente, vale ressaltar as mudanças e contribuições que os movimentos estudantis, por exemplo, conquistaram durante os anos. A saber, a União Nacional dos Estudantes (UNE) participou de momentos marcantes para a democracia brasileira. Seu papel foi essencial em vários momentos da história, porém, o caso do Regime Militar sempre será marcante por deduzir dos jovens, que buscavam a liberdade política e de expressão, o perigo, a ameaça comunista. Em outras palavras, o perigo estava no poder de organização e metamorfose dos jovens, o medo estava na educação questionadora do movimento. Outrossim, alguns jovens deste século, do mundo globalizado, também buscam, no ativismo, fazer a diferença em questões ambientais, de segurança, de educação, saúde e de igualdade. No Brasil, alguns projetos criados e administrados por jovens mostram-se de sucesso e com um poder de mobilização que transcende idades. O projeto “Oca da Juventude” de Manaus desenvolve soluções para a preservação do meio ambiente; o projeto “Descarte Legal”, desenvolvido em Belo Horizonte, cria parcerias com empresas para a destinação correta dos resíduos sólidos; a “Biblioteca Comunitária Caminhos da Leitura”, em São Paulo, leva aleitura para crianças e jovens carentes, além de reconstruir bibliotecas abandonadas. Ou seja, mesmo com o desafio de manter o foco em meio às informações, alguns jovens já começaram a exercer seu papel, que não se limita, apenas, em projetos, mas também, em discussões sociais. Dessarte, o jovem é responsável pelas transformações socias de seu tempo. Para tanto, uma educação esclarecedora é o caminho para uma formação que permita o pensamento, a manipulação crítica de informações e o desenvolvimento de opiniões. Por isso, as escolas devem fortalecer a prática do debate e a discussão de assuntos políticos e sociais. A autonomia do jovem é desenvolvida na escola e com a família, responsáveis por despertar a curiosidade e criticidade em todos os assuntos. Além disso, governos que estabelecem tabus não podem se perpetuar por ir contra a liberdade e a democracia prezada. Enfim, existem vários legados deixados pela juventude, como a UNE, como as manifestações dos estudantes em 2013 e 2016 e se preciso for, outros virão em nome da liberdade e da inovação.