A função do jovem no século XXI
Enviada em 30/03/2021
Em março de 1983 ocorreu uma onda de protesto para reivindicar eleições presidenciais diretas após a Ditadura Militar, denominado “Diretas Já!”. Tal movimento organizado pelos jovens, já indicava maior participação deles na política no século XXI. Assim, após 38 anos do protesto popular, a função do jovem cresceu a ponto de iniciar a reformulação política do país. Nesse âmbito, há dois fatores que devem ser destacados: a internet como meio de ativismo e a descrença dos jovens em relação à política, fruto da corrupção.
Nesse contexto, cabe ressaltar que a globalização e a criação da internet possibilitaram a formação de jovens com mais voz, mas, mais passivos. Segundo pesquisa Datafolha realizada em 2016, 30% dos jovens de 12 a 25 têm interesse em encarar as urnas. Ainda segundo a instituição, conforme a idade avança, menor a disposição em participar das eleições. Todavia, as ideias revolucionárias estão cada vez mais sendo expostas nas redes sociais. Conforme pesquisa da Veja feita em abril de 2020, no período de pandemia os protestos virtuais aumentaram 20% se comparado com o ano anterior. Assim, por mais que sejam ativistas na web, não vão de fato para as ruas, tornando-se passivos. Dessa forma, nascem os protestos de sofá.
Ainda, há grande descrença por parte dos jovens, principalmente após os escândalos da operação Lava-Jato, iniciada em 2014. Conforme o filósofo Aristóteles, “o homem é um animal político”. A tese exposta contradiz a situação do Brasil, ao passo que a política brasileira é associada com a corrupção e a desonestidade, a ponto de desmotivar as grandes massas de receberem um melhor serviço de saúde e infraestrutura, tudo isso em prol de interesses pessoais. Dessa maneira, os mais novos, por não conhecerem os bastidores políticos do país, tendem a ignorar essas questões. Segundo pesquisa realizada pelo instituto Ipsos, 94% dos entrevistados acham que os políticos no poder não representam a sociedade. Porém, todos os políticos que estão no poder foram colocados por meio do voto da população. Enfim a hipocrisia.
Logo, para que ocorra uma transição política mais fluida no Brasil, é necessário que as Secretarias Estaduais de Educação criem para junho deste ano o programa IJNAP (Inserção do Jovem e Adolescente na Política), que será constituído por 3 horas semanais com especialistas das áreas da política e economia. O objetivo do programa é preparar a geração jovem para sua inserção no mundo da política por meio de palestras e debates sobre a atual situação política no Brasil. Espera-se, com essa ação, que o país seja conhecido pela sua transparência e programas anticorrupção. Como disse Henry Ford, “ o passado serve para evidenciar nossas falhas e dar-nos indicações para o progresso no futuro”.