A herança da escravidão na sociedade brasileira do século XXI.
Enviada em 16/09/2020
Desde a colonização quando negros oriundos da áfrica desembarcaram no Brasil de forma forçada, começou-se a apropriação de sua liberdade. De modo análogo, hodiernamente, mesmo após décadas da abolição da escravatura, a sociedade brasileira carrega a herança escravista presente em diversos seguimentos sociais. Nesse contexto, assegura-se a formação desigual do país e a vulnerabilidade socioeconômica de grupos sociais, como pilares da problemática. Porém, decerto, é imprescindível que essa realidade mude, pelos riscos que traz às pessoas quanto ao desenvolvimento coletivo.
Em primeiro plano, vale destacar a construção social divergente no território tupiniquim como suporte da herança escravista no século XXI. Nessa linha de raciocínio, é pertinente citar as ideias do antropólogo Darcy Ribeiro, o qual assevera que “O Brasil, último país a acabar com a escravidão, tem uma perversidade intrínseca na sua herança, que torna nossa classe dominante enferma de desigualdade, de descaso”. Interpreta-se, assim, que, o país se constituiu com a superioridade da classe burguesa sobre os menos abastados, levando uns a terem mais privilégios que outros, havendo a desigualdade financeira, trabalhista e residencial. Sendo assim, como no período colonial em que os escravos viviam com a desigualdade se comparado a seus senhores, as diferenças de classes atuais reforçam a herança da escravidão no país.
Outrossim, importa discutir a respeito da vulnerabilidade socioeconômica de grupos sociais como fator que sustenta a escravidão nos dias atuais. Nesse sentido, cabe mencionar o documentário Terminal 3, em que mostra a realidade de pernambucanos que saíram de suas cidades para trabalhar na construção do terminal 3 do aeroporto de Guarulhos, sendo escravizados. Nessa perspectiva, se as pessoas vulneráveis economicamente não tem a oportunidade de trabalhar formalmente, recorrem ao serviço informal, com condições insalubres, má remuneração, sujeitas a humilhações e falta de empatia por parte dos patrões, tendo a escravização presente.
Diante do exposto, medidas são necessárias para atenuar a herança escravista no Brasil. Para isso, o Estado em parceria com o Ministério da Cidadania devem implantar projetos de ampliação de moradia e trabalho para os menos favorecidos, por fim de oferecer condições de vida mais dignas a população carente. Isso minimizará a desigualdade entre os grupos sociais. Ademais, o Ministério dos Direitos Humanos deve realizar fiscalizações periódicas nos locais de trabalho informal - onde geralmente ocorre os maiores índices de trabalho escravo -, no intuito de prevenir o escravagismo, protegendo os trabalhadores e assegurando os seus direitos. Sendo assim, poder-se-á mitigar as raízes da escravidão em terras brasileiras.