A herança da escravidão na sociedade brasileira do século XXI.

Enviada em 23/09/2020

Apesar da escravidão ter sido abolida em 1888 no Brasil, as consequências desse trágico momento da história perpetuam até os dias atuais. De acordo com o Artigo 149 do Código Penal, o trabalho análogo à escravidão é definido como uma atividade em que os indivíduos são submetidos a trabalhos forçados e jornadas de trabalho excessivas ao ponto de gerar lesão física, condições degradantes e limitações de deslocamento em virtude de dívida com o empregador. Assim o preconceito racial, o trabalho análogo à escravidão é um dos legados desse período que carece de ser resolvido ou atenuado.

A situação das vítimas do trabalho análogo à escravidão pode ser chamada de escravidão moderna, onde a vítima não é escolhida necessariamente pela raça, embora boa parte desses indivíduos sejam negros. Segundo um levantamento feito pela Repórter Brasil baseado em dados da Subsecretaria de Inspeção do Trabalho, quatro em cada cinco trabalhadores que foram resgatados de situações análogas à escravidão entre 2016 e 2018 eram negros. Além disso, 82% dos 2,4 mil trabalhadores que receberam seguro-desemprego após o resgate são pretos e/ou pardos. Além dos problemas que esses trabalhadores precisarão enfrentar após o resgate, os operários negros terão que lidar com o racismo da sociedade brasileira.

Sendo assim, o racismo manifestou-se de diferentes formas ao longo do tempo, contudo sempre esteve presente no cotidiano da população negra desde a abolição da escravidão. Os problemas da população negra não acabaram com a libertação dos escravizados, tendo em vista que o Estado não ofereceu auxílio nem recursos adequados para essas pessoas. Na teoria, a população negra tem todos os direitos essenciais do mundo atual, porém na prática, o preconceito racial continua afetando o cotidiano dessas pessoas: olhares que as julgam a cada passo, tratamento violento por parte das autoridades, expulsão de locais públicos, etc. O preconceito em todas as suas formas é prejudicial para os envolvidos, por isso deve ser plenamente combatido.

Com base nisso, é notório que a situação precisa ser revertida. É responsabilidade da mídia divulgar a situação de vida desses trabalhadores e mostrar que o trabalho escravo ainda é presente no século XXI. Ao usar postagens nas redes sociais, reportagens e entrevistas, os veículos de comunicação exercem forte influência sobre os usuários e ao mesmo tempo podem informar dados concretos e importantes para que a mudança ocorra. É imprescindível que as publicações a respeito do tema alcancem grande parte do público em um curto período de tempo (viável por meio das equipes de divulgação e patrocínios), já que cada indivíduo contribui no presente para transformar a realidade do futuro.