A herança da escravidão na sociedade brasileira do século XXI.
Enviada em 30/09/2020
É fato que a escravidão foi oficialmente abolida no Brasil em 1888, com a assinatura da Lei Áurea. Contudo, isso não representou a real liberdade dos ex-escravizados e seus descendentes, causando uma herança visível na sociedade brasileira. Sendo assim, a principal delas a desigualdade racial e social, em que os brancos possuem melhor escolarização e oportunidades econômicas do que os negros. Ademais, é preciso ressaltar que o trabalho análogo à escravidão continua no Brasil e é, apesar de ilegal, muito presente no país, aproveitando-se da pobreza para forçar os trabalhadores a continuar em uma situação degradante, consequência direta do escravismo e das desigualdades por ele trazidas.
A princípio, é necessário destacar a grande desigualdade social brasileira, uma das maiores do mundo, e que é resultado direto da escravidão. Isso ocorre, pois, após a abolição, a condição do negro na sociedade brasileira continuou de miséria. Assim, consoante a Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (PNAD), do IBGE, feita em 2017, a situação econômica da população negra no Brasil é totalmente diferente da população branca, uma vez que a renda média dos negros é de cerca de 1600 reais, e a dos brancos, 2800 reais. Isso se mostra inadmissível, uma vez que, mais de 130 anos após o fim da escravatura, a desigualdade racial é absurda, ferindo um dos objetivos da República Federativa do Brasil, presente no Artigo 3º da Constituição Federal de 1988: a redução das desigualdades sociais.
Outrossim, verifica-se como importante herança do regime escravista no Brasil o trabalho análogo à escravidão, ainda presente no século XXI, pois, como disse o pensador iluminista francês Jean-Jacques Rousseau, “A força fez os primeiros escravos, e a covardia perpetuou-os”. Por conseguinte, o trabalho análogo à escravidão ainda se faz presente no Brasil, consequência da vulnerabilidade social que força muitas pessoas a trabalhar, mesmo em condições desumanas. A proporção do problema é tanta que, de acordo com a Secretaria de Inspeção do Trabalho, do Ministério da Economia, mais de 55 mil pessoas foram resgatas de trabalho análogo à escravidão entre 1995 e 2020 e, entre 2016 e 2018, 82% desses eram negros, mostrando mais que a desigualdade social, mas também racial.
Logo, é imprescindível que as heranças da escravidão sejam mitigadas o mais rápido possível, com o combate às desigualdades raciais e sociais, frutos de vários problemas brasileiros, como a escravidão contemporânea. Partindo do princípio de que a educação promove iguais condições e oportunidades, é necessário investir nesse importante setor. O Poder Público, pois, em união entre os entes federados, deve melhorar a qualidade da educação pública, com maior eficiência dos gastos públicos e mais investimento. Assim, será possível tornar o Brasil um país mais igual economicamente, socialmente e, portanto, racialmente, como forma de superar a escravidão que por tanto tempo vigorou no Brasil.