A herança da escravidão na sociedade brasileira do século XXI.
Enviada em 29/09/2020
A Lei Áurea, assinada em 1888, libertou aproximadamente 800.000 negros escravizados no Brasil. No entanto, após esse fato, não houve nenhum tipo de integração social ou econômica que visasse, de fato, incluir os negros ex-escravizados na sociedade brasileira. Nesse sentido, infelizmente, consequências de tal fato mostram-se presentes no atual cenário contemporâneo brasileiro, uma vez que o trabalho em condições precárias e desumanas são uma realidade. Dessa forma, é importante a análise de como a alienação da população e a desigualdade e preconceito racial contribuem para a herança do trabalho escravo na sociedade brasileira do século XXI.
Em primeira análise, é notório que pessoas em situação de trabalho análogo à escravidão são constantemente normalizadas e vistas como indiferentes pela população brasileira. A falta de conscientização, informação e devida atenção ao assunto contribuem para a normalização e alienação dos que não são atingidos diretamente pelo trabalho sem remuneração justa, cuidados básicos e direitos assegurados. Dessa forma, afirmou Augusto Cury, “A aceitação passiva das ideias é pior que a crítica dirigida a elas”. Assim, é evidente que o constante desprezo e descaso da sociedade atual contribui para que o trabalho análogo à escravidão torne-se um senso comum de algo aceitável.
Em segunda análise, vale ressaltar que a falta de oportunidades educacionais e de emprego digno para população negra, juntamente com o preconceito racial, contribuem de maneira extremamente presente no trabalho análogo à escravidão atualmente, já que sem opções, os trabalhadores se veem obrigados a se submeter a qualquer trabalho que lhe dê alguma remuneração, mesmo essa sendo extremamente injusta e o trabalho abusivo. Nesse sentido, um levantamento feito pelo jornal Repórter Brasil, com base em dados obtidos da Subsecretaria de Inspeção do Trabalho, revela que a cada cinco trabalhadores resgatados em situação análoga à escravidão entre 2016 e 2018, quatro são negros com baixa escolaridade. Assim, fica explícita a marginalização dos negros e o reflexo de uma sociedade racista nos números de trabalhadores escravizados.
Portanto, tendo em vista essa problemática, são necessários meios de mitigá-la. Para tanto, a mídia, com seu poder de influenciar e formar opiniões, deve utilizá-lo para o bem, alertando, através da informação verdadeira e coerente em propagandas e alertas, os seus usuários acerca dessa problemática, a fim de promover a conscientização e a denúncia de práticas desumanas e ilegais. Dessa forma, o problema do trabalho análogo à escravidão será liquidado.