A herança da escravidão na sociedade brasileira do século XXI.

Enviada em 30/09/2020

Desde a Antiguidade Oriental, a escravidão, prática em que uma pessoa exerce poder sobre outra, é utilizada como um mecanismo de exploração , que afeta as minorias. No Brasil , ela foi muito marcante durante o período colonial e só teve seu fim legal com a Lei Áurea , em 1888, que aboliu o trabalho escravo . Entretanto , mesmo com a lei em vigor há mais de um século , são inúmeras as denúncias de atividades análogas à escravidão, também conhecidas como “Escravidão Moderna”,tal herança histórica que recebemos desde o período colonial, o que demonstra a necessidade de um maior engajamento político e social a fim de erradicar essa barbaridade .

Segundo a matéria publicada na revista Exame , a Ásia e a África são os continentes em que mais ocorrem o trabalho escravista. Isso ocorre ,pois, o primeiro é líder mundial na produção têxtil, além de montagem e eletrônicos ; no segundo existem fortes relações de trabalho escravo análogos à escravidão nos setores de mineração e agricultura,principalmente na exploração do cacau, sendo grande parte dos chocolates produzidos na Europa providos de mão de obra infantil,escrava e africana.      Inúmeros movimentos ocorrem para que haja uma maior fiscalização e libertação de pessoas em situação de exploração. De forma negligente, após o ano de 2008,no Brasil , o índice de pessoas resgatadas começou a cair progressivamente, segundo dados do IBGE . Isso ocorre devido a diversos interesses políticos , por exemplo , no Brasil , onde o presidente em exercício, Michel Temer, tentou alterar o conceito de trabalho escravo, que amenizaria e favoreceria empresários dos setores que têm maior evidência dessa prática. A medida foi suspensa pelo Supremo Tribunal Federal e logo o governo acabou recuando na tentativa de mudar o texto da legislação anterior .

Nesse cenário nota-se a necessidade de tomar medidas que realimente sejam eficazes para a real abolição do trabalho escravo no mundo. A organização Internacional do Trabalho (OIT), aliada ao governo de cada país , deve criar o “Projeto Liberdade”, que visa treinar e qualificar fiscais do setor que farão intensivas buscas e investigações em empresas que têm grandes potenciais para práticas escravagistas. Ao identificar a ação ilegal, essas companhias serão multadas em 50% do seu faturamento anual e o dinheiro será destinado a entidades filantrópicas que cuidam e recuperam pessoas resgatadas em situações análogas . Somente com uma fiscalização eficiente ,com pessoas preparadas , é que o cenário mundial escravista será alterado.