A herança da escravidão na sociedade brasileira do século XXI.

Enviada em 30/09/2020

A prática do trabalho escravo, em pleno século XXI, se mostra através da soma de dois modos: o trabalho realizado em péssimas condições e o trabalho obrigatório ou compelido. Tal prática abominável atinge, fortemente, a dignidade, aquilo que o cidadão tem de mais precioso, fato estarrecedor e antidemocrata.

A priori, é importante destacar que os três séculos de escravidão mantém influência até hoje no comportamento da sociedade brasileira. Por meio da frase do filósofo George Santayana “Quem não sabe recordar o passado está condenado a perigosas repetições”, nota-se a rigorosa relação entre o passado escravista do Brasil com a presente política discriminatória racial, a qual os negros sofrem com a maior falta de oportunidades e com uma forte desigualdade. Dessa forma, é inegável que a herança escravocrata sustenta uma enorme pressão sobre a população brasileira do século XXI, de forma a não oferecer novos patamares de vida e objetivos para a população negra.

Em segunda análise, cabe destacar a relação entre a herança da escravidão com a total desigualdade presente no sistema educacional brasileiro. Com isso, cria-se uma grande desigualdade social e trabalhista, na qual aqueles que não possuem uma base escolar ou ensino superior são explorados pelo sistema e obrigados a aceitar trabalhos análogos a escravidão. Outrossim, a falta de fiscalização por parte do Governo Federal acarreta o acomodamento das empresas transgressoras das leis trabalhistas, que, como consequência, utilizam a exposição de jovens e adultos a condições análogas a escravidão como uma eficiente manobra financeira. Nesse sentido, destaca-se a presente exploração dos trabalhadores na sociedade brasileira, de forma a torná-los integrantes de um subproletariado.

Em suma, é incontestável a presença da herança da escravidão na sociedade brasileira atual, algo que deve ser erradicado da atualidade do país. Para que isso ocorra é necessário que o Ministério da Educação (MEC) melhore o ensino sobre a descendência afrodescendente e sobre a história de sua cultura, para que , desde pequenas, as pessoas aprendam a respeitar a diversidade do Brasil. Faz-se necessário também que o Governo Federal fiscalize de forma efetiva os locais de trabalho, além de punir rigorosamente os empreendedores responsáveis por algum tipo de opressão ou exploração dos seus funcionários. Nesse cenário, o Brasil se tornará um país inclusivo e não regridirá o seu desenvolvimento histórico.