A herança da escravidão na sociedade brasileira do século XXI.

Enviada em 02/10/2020

Os primeiros navios negreiros desembarcaram no Brasil entre 1539 e 1542, mais especificamente na capitania de Pernambuco. Desde esse dia, cerca de 5 milhões de africanos desembarcaram no Brasil para trabalhar forçadamente. Essa prática perdurou por mais 300 anos, até a assinatura da Lei Áurea, em 1888, porém os escravizados libertos foram marginalizados e seus descendentes ainda sofrem com o preconceito, embora já tenham conseguido conquistar diversos direitos, como consequência desse período e do trabalho análogo à escravidão, em que os imigrantes que sofrem mais com essa prática. Diante disso, é possível afirmar que a herança do período escravocrata brasileiro é uma das piores e que persistem até hoje, mesmo que tenham sido moldada pelo mundo atual.

Primeiramente, o racismo não está mais tão escancarado como ocorria antes, porém isso não significa que ele acabou, o racismo estrutural (racismo enraizado que geralmente ninguém percebe) está presente fortemente em diversos lugares, principalmente na polícia. De acordo com uma reportagem feita em 2017 pela Agência Pública de Jornalismo e Investimento, os negros são mais condenados por tráfico e com menos drogas em São Paulo, também são quase três vezes mais mortos, de acordo com o G1. Isso mostra o preconceito enraizado e que às vezes é imperceptível se não houver a pesquisa.

Vale ressaltar que o legado da escravidão não se concentra apenas ao racismo, o trabalho análogo à escravidão está presente e muitas das vezes passa despercebido. De acordo com o IBGE, cerca de 1,5 milhão de pessoas não podem deixar seu trabalho por alguma dívida com o empregador (trabalho análogo à escravidão por dívidas), esses trabalhadores viviam e trabalhavam em condições sub-humanas e recebiam pouco, só podendo sair ao pagar a dívida, o problema é que a dívida vai se acumulando, então ela nunca seria paga. Posto isso, é verdade que a realidade do trabalho análogo à escravidão é ignorada por muitos quando se observa os números.

Portanto, é possível concluir que o período escravocrata foi uma das piores épocas da história devido ao fato de que ele é o principal culpado de diversos problemas sociais do século XXI. As possíveis soluções podem ser aplicadas aos dois problemas: a longo prazo a educação pode acabar com o preconceito e fazer com que as pessoas criem consciência e não “escravizem” os outros, e a curto prazo o aumento da pena sobre esses dois crimes e da fiscalização maior das empresas que utilizam o trabalho terceirizado, seja por parte da empresa ou do governo. Assim a luta de pessoas como Martin Luther King, Nelson Mandela, Marielle Franco e entre outros não seja em vão.