A herança da escravidão na sociedade brasileira do século XXI.

Enviada em 31/12/2020

No filme “Pantera Negra”, lançado em 2018 pela Marvel, é retratada uma civilização (Wakanda), majoritariamente negra, sendo essa reinada pelo respeito e igualdade social. Ao sair do universo cinematográfico, é notório que essa realidade não se enquadre no âmbito nacional. Isso porque os impactos que uma escravidão trouxe, mesmo com uma lei Áurea sancionada há 131 anos, influenciam no comportamento racista dos nossos e na estrutura hierárquica da sociedade.

A priori, é imperioso enaltecer que a constituição da cultura nacional tem intervenção de um comportamento racista de seus pertencentes. É fato esse panorama, quando trago que, segundo várias fontes como: Alexandra Loras, ex-consulesa francesa na Flip e o Steve McQueen, diretor inglês, que ganhou o Oscar por “12 Anos de Escravidão” (2013), o Brasil é um dos países mais racistas do mundo. Nesse sentido, cabe ressaltar o caso de racismo, no qual Patrícia Moreira da Silva, gremista, foi flagrada por câmeras chamando Aranha, goleiro do tempo rival, de macaco, esse linguajar foi usado propositalmente para referir-se a etnia do goleiro de modo pejorativo . Dessa maneira, mostra-se visível a cultura preconceituosa, de forma geral, no Brasil.

Ademais, no período colonial da américa portuguesa, os lusos faziam uso da mão de obra escrava africana para suprir a demanda de trabalho nos latifúndios, o qual era um serviço árduo e fatigante. De modo, a contemporaneidade é marcada pela desigualdade social hierárquica, por mais que a escravidão teve tido seu fim, os cargos de serviços braçais e mal remunerados como: serventes de obras, auxiliares de limpeza, agricultores, empregadas domésticas são ocupados por, na mesmo maioria, limitado afrodescendentes. Cabe saliente também que, conforme dados apontados por Rita Izsák, relatora especial das Organizações das Nações Unidas sobre questões de minorias, os negros brasileiros correspondentes a 70,8% de todos os 16,2 milhões que vivem atualmente em situação de extrema pobreza. Nesse contexto,é perceptível a permanência do desfavorecimento e desigualdade aos negros no Brasil, o que faz com que seja necessário algo para reparar essa descaso.

Em suma, é visível uma cultura que desprivilegia e negligência a existência dos afrodescendentes. Sendo assim, urge que o Ministério da Educação (Mec) implemente e disponibilize, por meio de verbas governamentais, aulas de filosofia e sociologia para toda comunidade, com um conteúdo programático voltado a ética, moral e respeito às divergências étnicas. Espera-se que, desse modo, uma população adquira um senso crítico mais humanista, e assim, não venha a cometer mais nenhuma atrocidade racista, o que tornaria mais fácil a extinção de tal hierarquia social que desfavorece os negros.