A herança da escravidão na sociedade brasileira do século XXI.
Enviada em 05/03/2021
A escravidão no Brasil teve início juntamente com sua colonização e durou aproximadamente 3 séculos, até sua abolição a partir da Lei Áurea. Porém, apesar de abolida, ela gerou muitas consequências à população que perduram até o século atual, 132 anos depois. Dentre elas, cabe destacar o racismo estrutural e a desigualdade social, os quais são diretamente ligados a esse período, como resutados de um processo abolicionista falho.
Primeiramente, é válido pontuar que, desde 1500, os negros foram considerados inferiores aos brancos, visto que os europeus consideravam sua raça como superior. Isso baseia o chamado “racismo estrutural”, que pode ser descrito como o fenômeno de a sociedade estruturar-se a partir de um conjunto de hábitos, falas e situações que desrespeitam a população negra. Esse longo processo gera ainda contemporaneamente grande desigualdade de oportunidades e julgamento entre pretos e brancos. Exemplo disso é o caso de George Floyd, um cidadão americano que foi condenado à morte sem julgamento, apenas, em suma, por sua cor de pele. Casos como esse evidenciam a forma como ocorre diariamente o descumprimento dos Direitos Humanos principalmente no que se refere à igualdade dos indivíduos.
Recém-libertos, os anteriormente escravizados não foram assistidos por meio de nenhum projeto que visava sua plena inserção social. A eles, não foram disponilizados empregos, moradia ou quaisquer outros recursos que lhes possibilitassem melhorar suas condições de vida. Nesse cenário, eles encontraram nos morros os locais para construírem, ainda que muito precariamente, sua habitações - processo que gerou as favelas contemporâneas, locais marcados pela falta de saneamento básico. Nesse contexto, cabe destacar a obra “Quarto de Despejo” de Carolina de Jesus, como retrato literário de inúmeras dificuldades enfrentadas cotidianamente, nesses locais cujos moradores, de acordo com o CENSO de 2013, ainda são em sua maioria negros.
Em síntese, visando a diminuição das consequências na sociedade brasileira do século XXI causadas pela escravidão, são necessárias ações governamentais e sociais. Diante disso, o Poder Executivo deve ser mais rígido, por meio da polícia cívil, na aplicação da Lei que define o racismo como crime, resultando na punição daqueles que a descumprem. Ademais, ONG’s devem trabalhar na conscientização da população, por meio de projetos sociais, sobre a importância dos direitos básicos do cidadão, que não são aplicados perante as favelas, buscando cumprir com os Direitos Humanos, para tornar a sociedade mais justa e melhor.