A herança da escravidão na sociedade brasileira do século XXI.
Enviada em 06/09/2021
A Lei Áurea, assinada em 1888 - após anos de luta negra por liberdade - acabou legalmente com a escravidão no Brasil. No entanto, tal processo legislativo não alcançou, de forma efetiva, a sociedade, tendo em vista que pouco foi feito para garantir a inserção plena dos ex-escravos na conjuntura social. Nessa contexto, no século XXI, infelizmente, o país ainda vive marcado por uma herança escravista que proporciona desigualdades de tratamento e de oportunidades aos negros em território nacional.
Cabe analisar, a princípio, que uma das heranças da escravidão está centrada nas desigualdades de tratamento dadas a população negra. Sob esse viés, isso pode ser comprovado nas atitudes sociais preconceituosas e, errônea e negativamente, esteriotipadas relatadas em reportagens - como a ocorrida, no início do mês de agosto, e divulgada por jornais como o “Jornal nacional” da emisora Globo, com um jovens negro no Leblon, acusado de roubar uma bicicleta por um casal branco. Nessa perspectiva, tais atitudes excluem e segregam esse setor social, retirando desse direitos básicos previstos pela Constituição federal de 1988, como o de ir e vir e a garantia de respeito e de tratamento igualitário.
Somado a isso, as disparidades de oportunidades dadas aos negros, em relação as direcionadas aos brancos, também são marcas dessa herança escravista. Nessa ótica, tal fator pode ser observado na permanência de cotas raciais, em instituições como faculdades, que, embora inegavelmente importantes para a garantia da inserção negra - aspecto marginalizado desde a colonização - comprovam as desigualdades que vigoram no Brasil. Além disso, pode-se perceber esse fator também com relaçao ao mercado de trabalho, já que, de acordo com a Síntese de Indicadores Sociais, os negros ocupam funções com baixas remuneração e quase não alcançam cargos elevados. Assim, é visível a criação de barreiras para a igualdade socioeconômica, empregatícia e educacional.
Portanto, tendo em mente as desigualdades enfrentadas pelos negros, urge que o governo federal crie projetos sociais com auxílio de órgãos midiáticos e apoiados no poder legislativo. Para tanto, isso pode ser realizado por meio do redirecionamento de verbas, arrecadadas pela Receita Federal, para investimentos em campanhas em redes sociais e em redes de televisão abertas - para mudar os preceitos sociais discriminatórios perante a figura do negro - e da elaboração efetiva de atas legislativas que garantam, usando-se de acordos com empresas, a contratação de pessoas independente da cor, baseada apenas nas habilidades e competências buscadas para as funções. Nesse sentido, o intuito de tal ação é garantir igualdade de tratamento e de oportunidade aos negros no Brasil ao acabar com a herança escravista ainda existente.