A herança da escravidão na sociedade brasileira do século XXI.
Enviada em 27/04/2021
Desde o Brasil Colonial, a escravidão foi a base da construção do país. Já no perído imperial, Leis como a do Ventre Livre e a Eusébio de Queirós levaram à Lei Áurea, que aboliu a escravatura e foi assinada pela Princesa Isabel em 13 de maio de 1888. Todavia, esse ato não foi questão de benevolência, mas de economia, o que deixou heranças em diferentes âmbitos da sociedade brasileira, tal como o racismo e o trabalho análogo à escravidão.
A discorrer sobre o assunto, nota-se que a população escrava vinda majoritariamente de países africanos (de pele negra) deixou como legado uma sociedade segregacionista. Tal tema é estudado pelo sociólogo Gilberto Freyre, que, no livro “Casa Grande e Senzala”, relata a notável separação promovida pela etnia dominante, os povos europeus. Mesmo sendo do século XX, essa obra descreve a realidade de milhões de brasileiros do século XXI que sofrem racismo diariamente. O sentimento de superioridade permaneceu com os descendentes dos escravizadores.
Sobre o mesmo assunto, em outro âmbito, está a escravidão escondida. O Código Penal brasileiro define “trabalho análogo a escravo” como aquele que apresenta condições degradantes, jornadas intensas e serviços forçados. Dentro dessa descrição, vê-se gigantes multinacionais que são denunciadas por uso de mão de obra escrava em diversos países, mas que dominam o mercado e conseguem comprar o silêncio daqueles com possível autoridade para lidar com a situação, além de distraírem o consumidor com marketing, lançamentos e preços baixos. A escravidão se mostra presente ou ausente na medida em que é conveniente para a economia.
Infere-se, portanto, que a escravidão ainda não abandonou a sociedade brasileira e mostra legados além das relações trabalhistas. Para lidar com a problemática, faz-se necessário que a mídia, por meio dos veículos de comunicação, lide com a conscientização da população a respeito das características escravocratas no país, através de marketing e campanhas, por exemplo. Outrossim, cabe ao poder público, por meio do patrimônio acumulado, investir em educação a respeito da herança segregacionista da escravatura, nas escolas, universidades e outros espaços públicos, buscando a reflexão e democratização do conhecimento histórico e sociológico. Afinal, o Brasil é contemporâneo e não mais colonial.