A herança da escravidão na sociedade brasileira do século XXI.
Enviada em 12/07/2021
No Brasil contemporâneo, mesmo com todo arcabouço jurídico fundamentado na progressista Constituição Federal de 1988, ainda perdura uma cultura de aceitação da exclusão etnica, econômica e social, fruto, em grande parte, do longo período escravocrata. Diante deste cenário truculento, cabe ao Estado e às instituições formadoras de opinião intensificarem medidas que combatam tal mentalidade.
Efetivamente, a Carta Magna garante os direitos sociais básicos e a igualdade de todos perante a lei. No entanto, a realidade ainda constitui uma prática distante do que preconiza a legislação. É notória, a extrema desigualdade social e econômica reinante no país, a qual, nitidamente, obedece um recorte de cor, resultado da ausência histórica de políticas reparadoras. Consequentemente, essa chaga exerce fortes freios ao desenvolvimento brasileiro, demandando uma atuação mais firme do poder público no sentido de tornar realidade o estabelecido na lei maior.
Ademais, embora o Brasil seja um dos primeiros países a assumir a existência do trabalho de natureza escravocrata perante a comunidade internacional, não nega o fato de ter sido uma das últimas nações a abolir oficialmente a escravidão. Esse processo histórico deixou marcas profundas na nação, estabelecendo uma forte carga de preconceito, com consequências danosas no acesso à justiça, à saúde e à educação, por parte da população vulnerável. Esse panorama requer uma intensa atuação dos entes formadores de opinião no combate a cultura excludente e escravocrata que permeia o tecido social brasileiro.
Portanto, com o fito de confrontar firmemente o legado escravocrata no Brasil, cabe ao poder publico intensificar investimentos no enfrentamento das condicionantes sociais que perpetuam as desigualdades, por meio de políticas compensatórias, tais como, sistemas de cotas raciais e renda mínima. Além disso, cumpre à escola, à família e à mídia, promoverem debates, palestras e reportagens no sentido de combater o pensamento intolerante e excludente.