A herança da escravidão na sociedade brasileira do século XXI.

Enviada em 05/08/2021

Em 2015, o filme “Que horas que ela volta?” gerou uma repercussão, por mostrar ao mundo o cotidiano de uma empregada doméstica brasileira da atualidade, oque para nós, já visto com um certo “ar de naturalidade” devido os traços da herança escravagista tão presentes na história de nossa sociedade brasileira.

Se rememorarmos o passado, nos dias em que Machado de Assis descrevia acerca da abolição, em que “houve sol, e grande sol, naquele domingo de 1888….foi o único dia de delírio público que me lembro ter visto em toda a minha vida”, momento histórico este, que trouxera a liberdade a milhares de escravos que recebiam a sua carta de alforria, em contrapartida, não possuíam as condições para viver com dignidade.

Na sequência destes eventos, vemos a construção da história da classe desfavorecida sendo construída, de encontro à uma sociedade elitista exploradora e racista, que gerou diversas guerras, resistências e lutas pelos direitos de igualdade que permeiam até a contemporaneidade.   Atualmente, graças aos avanços educacionais, sociais e tecnológicos, somos capazes de observar com mais precisão sobre a complexidade deste problema e consideramos abrangência nas diversas camadas: sociais, legislativas e econômicas.

Comprovamos tais alegações através das empregadas domésticas, por exemplo, uma classe trabalhadora que sofre de diversas formas. No âmbito legislativo, apesar de ter conquistado alguns direitos trabalhistas, em contrapartida ,ainda sofre episódios de privação de liberdade e péssimas condições de trabalho.

Ademais, se observarmos no campo social, deparamos com um cenário incompatível com o nosso tempo, pois ainda temos o estereótipo de que é uma profissão demérita, ou que em sua maioria são de regionalidades “precárias” e de pouca ou nenhuma formação.

Já no campo socio-econômico,as empregadas domésticas recebem uma salário incompatível com as suas necessidades de moradia, alimentação de qualidade e desenvolvimento profissional, dificultando a sua ascensão econômica e de suas gerações futuras.

Em um cenário econômico como este muitas empregadas domésticas aceitam viver em quartinhos ao fundo da casa dos patrões para garantir uma “moradia”, deixando de cuidar de suas famílias, para cuidar de todo trabalho doméstico e, por vezes, das criação dos filhos de seus empregadores, como vemos no filme “Que horas ela volta?”. Assim sendo, é necessário diversas medidas para reverter estes cenários, uma delas é promover de uma forma mais intensa, em toda a sociedade, campanhas contra  normas e padrões antigos que sustentam o racismo, pois assim, tornaremos as gerações futuras mais sensível a este assunto, rejeitando todo comportamento racista. Já nas esferas jurídicas e econômicas, faz-se necessário ampliar a eficiências das leis que defendam as classes desfavorecidas, que ajustem seus benefícios condicionando uma maior igualdade entre as classes profissionais e punam aos empregadores que burlam ou descumprem a legislação desta classe trabalhista.