A herança da escravidão na sociedade brasileira do século XXI.

Enviada em 16/10/2021

No filme brasileiro “M8”, Maurício, jovem negro, é agredido por policiais, com a justificativa de que pessoas da cor dele frequentam aquela área nobre da cidade somente para cometerem crimes. De fato, casos como o desse personagem não se limitam a cenários fictícios e refletem os como cidadãos pretos ainda são associados no país a uma posição inferior. Nesse sentido, debater acerca da herança da escravidão no século XXI é pertinente ao contexto brasileiro. Sobre essa perspectiva, é apropriado alegar que a forma como foi conduzida a abolição da escravatura deixou marcas na sociedade e é de responsabilidade do Estado superá-las.

Deve-se pontuar, antes de tudo, que em 1888, como tentativa frustrada de ganhar popularidade e se manter no poder, a Princesa Isabel autorizou, de maneira abrupta e desorganizada, a abolição da escravatura sem um plano de integração à sociedade para os agora libertos. Nessa lógica, é válido afirmar que por causa disso, mesmo após a libertação, os negros continuaram a pertencer às classes sociais mais baixas, visto que o Estado não forneceu assistência para eles ascenderam socialmente. Segundo o psicanalista Freud, o novo desperta resistência. Logo, presume-se que além de serem marginalizados, diversos tipos de preconceitos contra os negros continuaram a ser perpetuados, pois o Governo contou que a comunidade, após 300 anos de escravidão, iria subitamente mudar suas idéias.

Ademais, a sociedade apresentou resistência à essa nova realidade, por isso a escravidão carrega as heranças negativas até o presente. Dentre esses efeitos, 100 anos após a abolição da escravatura, foi consolidada a Constituição Federal, na qual afirma que é objetivo fundamental da República, garantir o bem estar de todos os cidadãos, sem preconceitos de cor. Por certo, uma vez que filmes nacionais, a exemplo “M8”, denunciam o contrário, o Estado demonstra despreparo em assegurar amplamente esse direito contido na Carta Magna.  Desse modo, percebe-se certa urgência na adoção de medidas que superem esse problema e resolva suas consequências.

Torna-se evidente, portanto, que casos como o do Maurício não podem continuar a ser reflexo da sociedade brasileira. Assim, cabe ao Ministério dos Direitos Humanos, com ações de delegacias, investigar e combater crimes de ódio racial, por meio da criação de um amplo projeto, com foco em garantir o bem estar desses cidadãos nas mais diversas áreas, a fim de enfrentar rigorosamente esse preconceito para que ele não se perpetue. Além disso, esse projeto deve oferecer assistência financeira às famílias de jovens negros, por intermédio de um bônus no Bolsa Família, com o intuito de fornecer um ambiente econômico favorável à ascensão social dessa nova geração. Enfim, a partir dessas ações, o Estado superará as marcas deixadas por erros do passado.