A herança da escravidão na sociedade brasileira do século XXI.

Enviada em 06/05/2022

Na obra “A Escrava”, de Maria Firmina dos Reis, a narrativa introduz uma temática antiescravista, abordando as indiferenças sociais sofridas pelos afrodescendentes. De maneira análoga, tem-se o perturbador índice de pessoas que ainda sofrem racismo, tendo isso como herança da escravidão presente ainda no século XXI, já que muitas pessoas desconhecem a importância da igualdade e do respeito no meio social. Ademais, a persistência dessa mazela deve-se à banalização da omissão social e ao descaso governamental.

Segundo Hannah Arendt, filósofa alemã, a banalidade do mal ocorre quando o indivíduo negligencia um determinado problema social. Paralelo a isso, é perceptível o desprezo da importância de ter uma sociedade inclusiva e sem discriminação, tendo em vista a grande omissão social em relação à necessidade de mudanças estruturais da herança escravista.Nesse sentido, soma-se o conceito de Arendt ao tema proposto por Maria Firmina, pois ambos contribuem para o explicar da perpetuação desse mal.

Além disso, a Constituição Federal de 1988 assegura a igualdade de direitos a todos os cidadãos brasileiros, independente da cor ou etnia. Entretanto, muitas pessoas ainda não gozam dessa inclusão, em virtude do descaso governamental. Com isso, grande parte deles sofrem pelas heranças da escravidão até mesmo na falta de políticas públicas adequadas. Sendo assim, é necessário que o problema seja combatido desde a origem, ou seja, investindo mais na formação do senso crítico igualitário da sociedade.

Logo, cabe ao governo instituir um comitê gestor—formado por um representante de cada área—, por exemplo, Ministério da Educação, diretores do Conselho Nacional dos DH e mídias (televisivas, cibernéticas e impressas). Essa ação se dará por meio de um plano de combate, em que haverá maior direcionamento de verbas e campanhas informativas sobre a evidência do racismo como resultado da herança da escravidão. Isso será feito a fim de remediar a omissão social e, também, o descaso governamental. Desse modo, validando a luta de Maria Firmina dos Reis contra a escravidão e o racismo.