A herança da escravidão na sociedade brasileira do século XXI.

Enviada em 07/10/2022

A herança da escravidão está atrelada a perpetuação do racismo no Brasil, afetando gerações em diversos âmbitos de suas vidas. Desse modo, além de criar um abismo social, as consequências dessa prática geram uma sociedade desigual em oportunidades e condições de vida dignas. Logo, um diálogo entre sociedade e Estado sobre os meios para mitigar o preconceito racial é medida que se impõe.

De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a taxa de analfabetismo entre pretos ou pardos no Brasil é quase três vezes maior do que o percentual observado entre brancos, segundo dados de 2019. A partir disso, é possível analisar que apesar da proclamação da Lei Áurea, em 1888, proibindo a escravidão, não houve de fato a criação de políticas de inserção dos negros no mercado de trabalho e na educação. Nesse sentido, observa-se que famílias de baixa condição econômica, se veem obrigadas a inverter prioridades, inserindo seus filhos no mercado de trabalho infantil, prejudicando a escolaridade destes, uma vez que não conseguem conciliar trabalhos e estudos. Logo, ao não receber educação de qualidade, esses jovens comprometem oportunidades melhores no futuro, excluindo a possibilidade de ascensão.

Nesse contexto, além do analfabetismo reafirmar a incompetência da máquina pública em garantir educação a todos, percebe-se que a taxa de desemprego entre negros é maior que entre brancos, visto que não tiveram formação. Dessa maneira, a discriminação é refletida no mercado de trabalho por meio de desigualdade salarial e falta de representatividade em cargos de gestão. Esse problema assume contornos específicos no país, onde os ecos da escravidão traduzem a divisão racial do trabalho, visto que pessoas pretas ocupam os maiores índices de cargos relativos a atividades braçais. Sendo assim, infere-se que esse grupo enfrenta vulnerabilidade social e não experimenta seus direitos na prática.

Sendo assim, cabe ao governo, em parceria com os Ministérios da Educação e do Trabalho, elaborar um plano nacional de cotas para que pessoas pretas ingressem efetivamente em universidades e instituições públicas, empossando cargos de gestão. Desse modo, aproxima-se a possibilidade de minimizar de forma mais efetiva o abismo social que ainda assola o país.