A herança da escravidão na sociedade brasileira do século XXI.

Enviada em 04/09/2023

O “Mito da Caverna”, de Platão, descreve a situação em que pessoas se recusavam a enxergar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Fora da alusão, observa-se que, na contemporaneidade, a herança escravocata brasileira merece uma maior atenção, pois também é um tema que está às sombras da sociedade. Desse modo, dois aspectos fundamentais se destacam: a negligência governamental e a invisibilidade.

Em primeira instância, vale ressaltar a insuficiência estatal como fator motivante da problemática. De acordo com John Locke, filósofo contratualista, o Estado é firmado a partir de um contrato social a fim de preservar os direitos da coletividade. Nesse contexto, o Governo, por meio dos policiais, age de maneira preconceituosa ao abordarem, na maioria dos casos, pessoas negras com cabelo crespo, o que põe em dúvida o direito da igualdade. Logo, situações como essa expõe esses cidadãos a um constrangimento rotineiro e, dessa forma, faz se necessário ações a fim da não perpetuação desse infeliz quadro.

Ademais, é fulcral apontar a invisibilidade como uma das causas da adversidade. Consoante a Manoel de Barros, poeta pós modernista autor da “Teoria do Traste”, defende a valorização das situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Sob esse viés, cabe citar que a questão da escravidão saiu de pauta após a abolição, no entanto, se faz presente de outras formas, sobretudo nos trabalhos sem direitos trabalhistas, em jornadas extenuantes e em ambientes insalubres. Em síntese, tais ocasiões comprometem a qualidade de vida dessas pessoas e, à vista disso, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Portanto, todos esses elementos evidenciam, enfim, que medidas são necessárias para solucionar o impasse. Destarte, com o intuito de erradicar o trabalho análogo à escravidão, cabe ao Poder Executivo Federal, mais especificamente o Ministério do Trabalho, responsável direto por todo e quaisquer assunto referente a medidas trabalhistas, fiscalizar empresas e comércios locais, principalmente de cidades pequenas. Tal ação deverá ocorrer por meio da atuação de funcionários estatais nesses locais juntamente com o apoio com denúncias da própria sociedade. Assim, conseguir-se-á sair das sombras da caverna.