A herança da escravidão na sociedade brasileira do século XXI.
Enviada em 18/09/2023
Em meados do século XX, o escritor Stefan Zweig escreveu sua obra “Brasil, um país do futuro”, que logo tornou-se uma espécie de lema para nação verde-amarela. Entretanto, observa-se a questão do trabalho análogo à escravidão no Brasil. Nesse viés, torna-se crucial analisar as causas desse revés, dentre os quais, destacam-se o descaso midiático e a negligência governamental.
Em primeiro lugar, o silenciamento das mídias prejudica a disseminação de informações acerca da problemática. Nessa análise, de acordo com o professor Afonso Albuquerque, a mídia brasileira é considerada o quarto poder e deve ser vista de maneira conceitual, uma vez que ela gera grandes influências para a sociedade. Dessa maneira, as redes de informações devem aproveitar o seu poder de influência para alertar e debater sobre a questão do trabalho análogo à escravidão no território brasileiro e garantir que essa temática receba seu reconhecimento e alcance na mídia para que não haja uma desinformação na sociedade.
Ademais, constata-se o desserviço estatal como uma das causas. Nesse contexto, para Baumann, algumas instituições, como o Estado, atuam como “Zumbis”, pois perderam a sua função social. Nessa ótica, tal teoria é constatada no contexto brasileiro, uma vez que a falta de informação, a insuficiência legislativa, os legados históricos e a negligência governamental são evidentes. Sobre tudo, o trabalho escravo formal foi abolido pela Lei Áurea em 13 de maio de 1888. No entanto, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, mais de 2,5 mil pessoas em situação análoga à escravidão foram resgatadas no ano de 2022. Logo, tal realidade deve ser alterada, perante aos direitos exercidos na Carta Magna, com base nos artigos 5 e 7.
Contudo, tendo em vista os argumentos apresentados acerca do trabalho análogo à escravidão, é de suma importância que o Estado — órgão responsável pelo bem-estar social — com a mídia e o Ministério do Trabalho, crie medidas, como a implementação de palestras e fóruns sobre o tema, de modo a conscientizar a população sobre seus direitos socias, trabalhistas e sobre o seu combate ao ato. Construindo, assim, um Brasil do futuro perante a obra de Stefan.