A herança da escravidão na sociedade brasileira do século XXI.

Enviada em 04/11/2024

Promulgada pela ONU em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito à cultura e ao bem-estar social. Conquanto, na prática, os direitos por ela garantidos não se encontram efetivados. Nesse sentido, esse cenário é presente na realidade brasileira visto que a falta de valorização da herança africana no Brasil é um desafio impeditivo dos textos das Nações Unidas. Dessa forma, esse quadro nefasto ocorre não só em razão da negligência governamental, mas também da indiferença social característica de uma modernidade líquida.

Percebe-se, a princípio, que a débil ação do Poder Público possui íntima relação com o revés. Diante dessa conjuntura, segundo o filósofo contratualista Thomas Hobbes, o Estado deve atuar para materializar as normas da sociedade na qual ele está inserido. Nesse viés, é evidente que a formação nacional foi construída em cima de uma cultura de segregação racial. Nessa lógica, a predominância do branco no poder, sufoca qualquer manifestação cultural e sua assimilação. Logo, torna-se substancial a mudança desse quadro.

Ressalta-se, ademais, que a indiferença social contribui para persistência dessa falta de valorização. Nesse contexto, de acordo com Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações coletivas, políticas e econômicas é a característica da" modernidade líquida" vivida no século XXI. Analogamente, percebe-se que a dificuldade para valorização da herança africana possui forte alicerce na estagnação social. Essa situação ocorre porque, com infelicidade, a indústria cultural capitalista é quem “seleciona” à herança que lhe é conveniente sem permitir uma cultura sólida e identitária. Nessa perspectiva, a mudança do comportamento coletivo é vital para superar esse paradigma.