A herança da escravidão na sociedade brasileira do século XXI.

Enviada em 20/12/2024

Sob a égide jurídica, o artigo 5º da Constituição Federal prevê o respeito à pluralidade cultural como ímpar ao desenvolvimento da nação brasileira. Todavia, esse argumento jurídico não é efetivado na prática, pois os desafios para a valorização da herança africana, no Brasil, são observados pela insuficiente importância atribuída às tradições orais, alimentares e comportamentais de matriz afro-brasileira. Assim, o apagamento sociocultural dos hábitos culturais africanos e a persistência de práticas racistas devem ser combatidos com eficácia.

A princípio, é relevante mencionar a preocupante negligência no tocante ao respeito relacionado aos hábitos culturais da Àfrica na sociedade brasileira, uma vez que poucas escolas têm a preocupação de ensiná-los ao alunado. Nesse contexto, o filme brasileiro “Ó Paí Ó” retrata a cruel marginalização da herança africana por civis protestantes preconceituosos. Dessa forma, fora da ficção, muitos cidadãos, descendentes de negros africanos, sofrem exclusão inaceitável e doentia, de modo a gerar angústia e doenças graves, como a depressão e a ansiedade.

Ademais, a perpetuação de comportamentos racistas aumenta o empecilho, visto que as manifestações culturais de herança africana, a exemplo da capoeira e da religião umbanda, ainda são, por vezes, alvos de estereótipos. Nessa perspectiva, o livro “A Escrava Isaura” — escrito por Bernardo Guimarães — descreve a luta pela liberdade e pela tolerância cultural em um contexto histórico permeado pelo desrespeito à dignidade humana. Em suma, lamentavelmente, boa parte da população negra hodierna continua sofrendo a aversão profunda à cultura africana da obra, de feitio a ampliar o isolamento social avassalador.

Portanto, as escolas devem aumentar o debate acerca da herança africana no Brasil, mediante círculos de debates e palestras com especialistas no tema (sociólogos, ativistas associados ao legado cultural africano e professores com doutorado), a fim de mitigar o apagamento de costumes afro-brasileiros no cenário nacional. Além disso, as secretarias municipais de educação têm a obrigação de desenvolver políticas públicas eficientes de valorização das tradições africanas, com o fito de reduzir as condutas racistas e de pôr em prática o cumprimento do artigo 5º da Lei Maior.