A importância da agricultura familiar no Brasil

Enviada em 08/07/2021

A obra ‘’Vidas Secas’’ de Graciliano Ramos, retrata a realidade de uma família nordestina no sertão brasileiro, evidenciando as dificuldades climáticas e sociais que enfrentavam. Nesse interím, o personagem principal, lida com a insuficiência do incentivo ao plantio rural, uma vez que a condição alimentar dele eram subumanas. Em paralelo, observa-se que é possível associar o contexto acima ao cenário da agricultura familiar brasileira, pois fora da ficção, essa forma de economia também se encontra fragilizada. É mister a análise sobre os benefícios dessa prática e considerar os empecilhos dos lavradores.

Em primeiro lugar, faz-se imprescindível ponderar que o estado não destina recursos financeiros suficientes para o desenvolvimento e a manutenção das atividades familiares. De acordo com o IBGE, a agricultura familiar garante o sustento de milhões de brasileiros. Isso se explica pelo fato de que, segundo Adam Smith, o consumo é o único intuito da produção, logo nota-se o potencial dessa tradição familiar em “aquecer” o comércio local, uma vez que essa prática possui vantagens logísticas e o capital das transações é mantido na região. Por conseguinte, a ineficácia administrativa expressa a negligência com o cultivo familiar, demonstrando o quanto é importante investir nesse ramo, a fim de atenuar a concentração orçamentária nos grandes polos.

Outrossim, um setor tão importante deveria ser mais valorizado, levando em consideração a competitividade de grandes produtores rurais. Sob esse viés, a Organização para Alimentação e Agricultura (FAO), mostra o Brasil em segundo lugar na lista dos países com a pior distribuição fundiária. Dessa forma, ocasiona na existência de latifúndios que, com lucros muito grandes, possibilitam que seus proprietários ofertem produtos com preços mais baixos no mercado e não contribuam tanto para o comércio local. Dito isso, famílias campesinas são prejudicadas e, muitas vezes, não dão continuidade às suas produções pelo prejuízo.

Portanto, a intervenção estatal é necessária. Logo o Ministério da Agricultura deve trabalhar em prol da agricultura familiar, através da  diminuição de impostos para essa classe, como cortes no ICMS,  e do incentivo de compras feitas pelas escolas da região, a fim de fomentar a produção e venda local por pequenos produtores. Ademais, é dever do Ministério da Economia, por meio do Plano Nacional de Democratização da Participação Rural, atue realizando parcerias público-privadas com empresas de capitalização, de forma a financiar essa atividade do lar em meio à roça, fornecendo base para a sua evolução no cenário brasileiro e inovação. Sendo assim , as vidas camponesas deixarão a seca.