A importância da agricultura familiar no Brasil

Enviada em 11/07/2021

No poema, “Das Utopias”, de Mario Quintana, célebre poeta brasileiro, é dito “Se as coisas são inatingíveis… ora!/Não é motivo para não querê-las…/Que tristes os caminhos, se não fora/A presença distante das estrelas!”. Nessa perspectiva, as utopias apontam para caminhos intangíveis, mas olhar para elas e deseja-las muda e transforma o sentido da caminhada. Desse modo, é possível estabelecer um paralelo entre o trecho e a agricultura familiar, uma vez que apresentam barreiras para que a cidadania seja gozada por todos de maneira plena. Esse cenário é tanto fruto da carência informacional nesse âmbito quanto a discriminação configurada a partir da desconstrução coletiva. É importante ressaltar, em primeiro plano, de que forma de que forma a elite da herdade rural permite subjugar a importância do pequeno cultor de base familiar. Isso ocorre, em grande parte, devido ao baixo senso crítico da população, fruto de uma educação tecnicista, na qual não há estímulo ao questionamento. Sob esse âmbito, o latifúndio usufrui dessa vulnerabilidade e, por intermédio de recursos financeiros à disposição outrossim sua hegemonia dissoluta no corpo social, sugestiona a incapacidade do cultivador, de núcleo familiar, prover segurança alimentar e nutricional ao povo brasileiro limitando, assim, o modo de pensar dos cidadãos. Em meio a isso, uma analogia com a educação libertadora proposta por Paulo Freire mostra-se possível, uma vez que o pedagogo defendia um ensino capaz de estimular a reflexão e, dessa forma, libertar o indivíduo da situação à qual encontra-se sujeitado - nesse caso, a manipulação. Além disso, uma comunidade que restringe alimentos livre do uso de agrotóxicos e de maior qualidade, por meio de altos impostos e sem quaisquer ajuda subsidiária — deleite apenas do grande agronegócio, representa um retrocesso para a coletividade que preza por igualdade. Nesse sentido, na teoria da percepção do estado da sociedade, de Émile Durkheim, sociólogo francês, abrangem-se duas divisões: “normal e patológico”. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que um ambiente patológico, em crise, rompe com o seu desenvolvimento, visto que um sistema desigual não favorece o progresso coletivo. Dessa forma, com a disponibilidade de cultivo mediada pelo preço e aparato tecnológico — que não leva em consideração a mão de obra familiar —, a democratização torna-se inviável. Depreende-se, portanto, a relevância que o governo tome providências para amenizar o quadro atual. Para a conscientização da população brasileira a respeito do problema, urge que o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar por intermédio de verbas governamentais, oferte adjutório ao MEC, debates e seminários escolares, voltados à inclusão de problematizações e a criação de reformulações conscientes, alusivo a proteção e sobre-eminência dos tratos culturais – a fim de ampliar nos jovens os interesses por opiniões diferentes. Posto isso, será superado o imperioso sistema latifundiário e assim, observar-se-ia um Brasil não mais análogo à trama utópica.