A importância da agricultura familiar no Brasil

Enviada em 13/07/2021

Desde o século XX, com a chamada Revolução Verde, a expansão do uso dos agrotóxicos e a transformação do espaço rural fizeram com que o número de alimentos produzidos no mundo crescesse vertiginosamente. No entanto, tal crescimento foi acompanhado pela concentração de terras e a formação de grandes latifúndios monocultores, fato que prejudicou o abastecimento interno nos mais diversos países, principalmente aqueles que não apresentavam propostas de incentivo a agricultura tradicional. No Brasil, a Lei de Terras de 1850 ampliou ainda mais a concentração das propriedades rurais nas mãos dos grandes produtores, reduzindo a importância dada à agricultura familiar e tornando o país suscetível a crises de abastecimento e ao desemprego estrutural.

Nesse sentido, de acordo com o jornal Correio Brasiliense, cerca de 70% dos alimentos que compõem a refeição dos brasileiros advém das pequenas propriedades agrícolas, o que demonstra a relevância que a prática tem para garantir o suprimento das necessidades alimentícias. Entretanto, o que se nota no Brasil é uma grande desigualdade no meio rural, a falta de acesso às novas tecnologias e de crédito limitam o desenvolvimento da agricultura familiar, uma vez que se torna difícil competir com produtos importados que muitas das vezes contam com subsídios e pagam menos impostos, fazendo com que o preço dos produtos aumente e haja crises de abastecimento pela falta de oferta e competitividade.

Além disso, a falta de investimentos nas pequenas propriedades rurais acentua o desemprego estrutural, já que com o crescimento dos latifúndios cada vez menos trabalhadores são necessários, sendo substituídos por máquinas capazes de desempenhar em tempo hábil o que demoraria muito mais tempo de maneira manual. Tal fato gera uma crise no mercado interno, já que é preciso realocar a população que não consegue se manter e sobreviver no campo. Segundo Argileu Martins, ex-secretário de Desenvolvimento Rural, a agricultura familiar tem em si um grande potencial, mas a escassez de investimentos corrobora na dificuldade que os pequenos agricultores têm em se manter, motivando o abandono à agricultura tradicional tão relevante para o país.

Portanto, é possível perceber que a falta de importância dada à agricultura familiar reduz a qualidade de vida de inúmeras pessoas, já que o risco de faltar determinados gêneros alimentícios, o consumo de produtos mais processados e o desemprego aumentam. Por isso, cabe ao Estado, por meio do Ministério da Agricultura e do Poder Legislativo, reduzir os impostos, fornecer subsídios às pequenas propriedades e promover a reforma agrária de latifúndios improdutivos a fim de que a agricultura tradicional ganhe o merecido destaque e possa competir com os produtos internacionais. Dessa forma, o Brasil conseguirá diminuir as desigualdades no campo e garantir a qualidade de vida.