A importância da agricultura familiar no Brasil
Enviada em 21/07/2021
Mário Quintana tece um feroz anseio aos intangíveis caminhos de pedra que preconizam uma sociedade harmônica em “Das Utópias”. É possível observar a pespectiva utópica na agricultura familiar, uma vez que essa apresenta barreiras para que a cidadania seja gozada por todos de maneira plena, tornando-se uma quimera. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um complexo problema, que se enraiza na carência informacional e na descriminação configurada a partir da descontrução coletiva.
É importante ressaltar, em primeiro plano, que forma a elite da herdade rural permite subjugar a importância do pequeno cultor de base familiar. Isso ocorre, em grande parte, devido ao baixo senso crítico da população, fruto de uma educação tecnicista, na qual não há estímulo ao questionamento. Sob esse âmbito, o sistema latifundiário usufrui dessa vulnerabilidade e, por intermédio de recursos financeiros à disposição ideando sua hegemonia dissoluta no corpo social, sugestiona a incapacidade do cultivador, de núcleo familiar, prover segurança alimentar e nutricional ao povo brasileiro limitando, assim, o modo de pensar dos cidadãos. Em meio a isso, uma analogia com a educação libertadora proposta por Paulo Freire mostra-se possível, uma vez que o pedagogo defendia um ensino capaz de estimular a reflexão e, dessa forma, libertar o indivíduo da situação a qual encontra-se sujeitado - nesse caso, a manipulação.
Além disso, uma comunidade que restringe alimentos livres do uso de agrotóxicos e de maior qualidade, por meio de altos impostos e sem quaisquer ajuda subsidiária — deleite apenas do grande agronegócio, representa um retrocesso para a coletividade que preza por igualdade. Nesse sentido, na teoria da percepção do estado da sociedade, de Durkheim, sociólogo francês, abrangem-se duas divisões: “normal e patológico”. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que um ambiente patológico, em crise, rompe com o seu desenvolvimento, visto que um sistema desigual não favorece o progresso coletivo. Dessa forma, com a disponibilidade de cultivo mediada pelo preço e aparato tecnológico — que não leva em consideração a mão de obra familiar —, a democratização torna-se inviável.
Portanto faz-se necessário uma intervenção. Para a conscientização da população brasileira a respeito desse estorvo, urge que o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar por intermédio de verbas governamentais, oferte adjutório ao MEC, debates e seminários escolares, voltados à inclusão de problematizações e à criação de reformulações conscientes, alusivo a proteção e sobre-eminência dos tratos culturais – a fim de ampliar nos jovens os interesses por opiniões diferentes. Posto isso, será superado o latifúndio e, assim, observar-se-ia um Brasil não mais análogo à trama utópica.