A importância da agricultura familiar no Brasil
Enviada em 21/07/2021
No Segundo Reinado, Dom Pedro II criou a Lei de Terras, a qual afirmava que todas as propriedades rurais sem registro só poderiam ser adquiridas por meio da compra. Nesse contexto, iniciou-se um problema que se mantém constante na história do Brasil e que afeta diretamente a agricultura familiar: a concentração fundiária. Com efeito, é de suma importância que esse problema seja sanado, haja vista que esse setor produtivo valoriza o comércio interno e reduz os impactos no solo.
Diante desse cenário, Gilberto Freyre - autor da obra “Casa-Grande e Senzala” - descreve a gênese do Brasil, que, durante o Pacto Colonial, servia apenas como fornecedor de produtos agrícolas básicos para a metrópole. Com isso, percebe-se que o pensamento colonial, mesmo após centenas de anos, permanece enraizado na mentalidade da população, uma vez que a agricultura é, de forma frequente, vista apenas como um mecanismo de exportação. No entanto, no século XXI, a agronomia familiar atua como uma ferramenta para mudar essa realidade, já que, conforme o IBGE, ela representa 70% dos alimentos consumidos no país. Ou seja, se houvesse apenas agroindústrias voltadas para o comércio externo, faltariam alimentos na mesa dos brasileiros. Assim, enquanto as atividades rurais com núcleos familiares existirem, o comércio interno do Brasil tenderá a se desenvolver, dado que é tão importante manter a população alimentada quanto negociar os alimentos internacionalmente.
Ademais, a obra cinematográfica “O Lorax: Em Busca da Trúfula Perdida” denuncia, através de uma analogia infantil, os desastres no meio ambiente causados pelas ações antrópicas, a exemplo da despreocupação com a fertilidade do solo. Sob esse viés, o filme, mesmo voltado para as crianças, apresenta uma base científica bem estruturada, visto que os latifúndios agrícolas, muitas vezes, cultivam apenas um único produto e o destinam para as cidades, o que impede que o nitrogênio, essencial para o metabolismo da planta, retorne à terra. Por outro ângulo, a agricultura familiar trabalha com uma variedade de alimentos, o que possibilita uma rotação de culturas e permite a conlusão do ciclo do nitrogênio, o que evita problemas como a erosão. Logo, é inviável a preservação do solo brasileiro enquanto a mão de obra agrícola familiar for oprimida pelo domínio dos latifúndios.
Portanto, para que os benefícios da agricultura familiar sejam efetivos no Brasil, o Estado deve incentivar o desenvolvimento dos pequenos agricultores, por meio de um suporte estrutural, como a distribuição de terras e de recursos financeiros, que possibilitem a esses indivíduos uma certa estabilidade produtiva. Essa iniciativa poderia se chamar “Solidariedade de Terras” e teria a finalidade de amenizar os impactos que a concentração fundiária causou na história brasileira. Feito isso, o comércio interno será valorizado e os impactos ambientais, em breve, serão reduzidos.