A importância da agricultura familiar no Brasil

Enviada em 18/08/2021

De acordo com o teórico britânico David Harvey, as novas tecnologias fomentaram o chamado “encolhimento do mundo”, isso é, o aumento das relações sociais a distância. Entretanto, com novas tecnologias também surgem diferentes formas de opressão, sobretudo à questão da agricultura familiar no Brasil  — uma atividde imprescindível para a manutenção dietética da sociedade. Assim, é possível afirmar que não só a contribuição em fornecer os nutrientes necessários à salubridade humana, mas também o seu impacto na diminuição da fome no país fomentam o status quo contemporâneo do século XXI.

Inicialmente, é necessário desmentir a ideia de que toda prática agrícola é voltada para o mercado externo — o famoso agronegócio brasileiro. De acordo com a Organização Mundial do Comércio (OMC), o Brasil é o 2º maior exportador de gêneros alimentícios do mundo, o que , porém, favorece o enriquecimento de restritas empresas agrícolas voltadas para a produção em larga escala para outros países. A priori, a noção de agricultura familiar entra como uma alternativa ao descaso da produção alimentícia para uso nacional de grandes instituições — afinal, para o mercado de visão internacional, é mais vantajoso saciar o gosto estrangeiro do que satisfazer a dieta populacional.

Ademais, outro tópico importante a se discutir, não muito destoante da ideia anterior, tange à questão da fome no Brasil. Conforme os dados da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania, existem cerca de 18 milhões de brasileiros em situações de inanição no Estado — um número alarmante tendo em mente o grau de tecnologia nos meios produtivos. A partir desse aspecto, novamente, vê-se que a tecnologia de ponta é destinada às multinacionais com foco exportativo e não para suprir as necessidades — aliás,  se não fosse a agricultura da família, tal número seria ainda mais revoltante.

Destarte, é dever do Estado, no âmbito de ministérios atuantes, em consonância com instituições de trabalho, realizar a conscientização populacional por intermédio de palestras laborais e campanhas publicitárias acerca da não só da  importância  da plantação familiar e de seu impacto na mesa brasileira caso sucumbida, mas também sobre o descaso de grandes empresas para com a própria nação. Espera-se, com tudo isso, um melhor destaque ao cultivo familiar e, não menos importante, uma mudança na postura do agronegócio para a supressão da fome no Brasil.