A importância da agricultura familiar no Brasil
Enviada em 20/08/2021
Em meados do século XIX, houve a implantação da chamada Lei de Terras no país, a qual determinava que a compra era a única forma de obtenção de um terreno. Tal legislação, por impedir com que a maioria dos imigrantes e ex-escravizados adquirissem uma propriedade, foi o instrumento primordial para a formação da estrutura fundiária que persiste até hoje: o predomínio de grandes extensões de terra sob o domínio de poucos. Desse modo, a agricultura familiar foi sendo, historicamente, desvalorizada, embora deva ser mais difundida, pois é capaz de gerar muitos empregos e maior distribuição de renda para o povo do campo.
Primeiramente, é indubitável que o modo de produção de pequeno porte é reponsável por contratar mais funcionários pelo fato de ser mais tradicional e rudimentar em relação aos latifúndios. Tal cenário é reflexo da Revolução Verde, que trouxe inúmeras inovações no campo a partir da metade da década de XX e, afetou, com muito mais força, os maiores produtores. Com isso, as grandes propriedades tendem a ser altamente tecnificadas, empregando cada vez menos pessoas em seus cultivos, enquanto o modelo familiar absorve essa mão de obra. Logo, esse tipo de produção em menor escala contribui para que os efeitos do êxodo rural sejam atenuados e garante a subsistência para muitos trabalhadores.
Além disso, o cultivo dos mais importantes integrantes da alimentação diária do brasileiro provêm do pequeno agricultor. Nesse âmbito, de acordo com o Censo Agropecuário de 2017 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estátistica, cerca de 70% do feijão, 87% da mandioca e 60% do leite nacional são fornecidos pelas terras desses indivíduos. Sendo assim, a presença dessa modalidade de produção impacta toda a população, que é atendida cotidianamente por essa forma de trabalho.
Portanto, é fundamental que se valorize e incentive a agricultura familiar no Brasil. Para tanto, cabe ao Ministério da Agricultura e Pecuária implantar um sistema de subsídios fiscais de insumos agrícolas para aumentar e melhorar o volume dos cultivos e, assim, gerar mais renda e a abertura de vagas de emprego no meio rural. Por fim, é dever das prefeituras viabilizar e divulgar feiras semanais com, exclusivamente, os produtores locais e de pequena escala, com o intuito de atrair a população ao consumo desses gêneros e, por conseguinte, fazer com que haja a circulação monetária dentro da própria comunidade.