A importância da agricultura familiar no Brasil
Enviada em 05/09/2021
Na conferência Rio+20, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), estabeleceu-se a “economia verde” como aquela que melhora o bem-estar humano e constrói a igualde social, ao mesmo tempo que reduz os riscos ambientais e a escassez. Nesse sentido, torna-se essencial discutir a agricultura familiar como contribuidora para esse sistema, bem como a histórica insuficiência de investimentos nessa área no Brasil.
A princípio, a prática agrícola nos minifúndios é significativamente benéfica ao povo brasileiro. A partir disso, o documentário “Agricultura tamanho família” exemplifica bem a importância dessa forma produtiva à população, uma vez que mostra esse modo de produção de alimentos como fonte de renda para famílias camponesas, bem como sendo mais sustentável, na medida em que adota a rotação de culturas e o menor uso de agrotóxicos – em comparação com as grandes indústrias agrícolas. Dessa forma, é notório que a agricultura familiar segue os princípios propostos pelo PNUMA, logo, colabora para uma economia mais verde.
Entretanto, observa-se, no Brasil, uma supervalorização do agronegócio em detrimento dos pequenos agricultores desde o período colonial. Sobre isso, a Economia do açúcar dessa época estabeleceu um sistema baseado nos grandes latifúndios monocultores, os quais atendiam aos interesses de Portugal, principalmente. A partir daí, enraizou-se uma exagerada prática de exportações em detrimento do mercado interno do país. Consequentemente, percebe-se a histórica falta de incentivos aos agricultores familiares, haja vista que o Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar foi constituído apenas no ano de1995, o que poderia ter evitado, por exemplo, o intenso êxodo rural ocorrido no país, na década de 1970.
Portanto, urge que o Ministério da Agricultura e Abastecimento -principal responsável pela gestão de políticas de estímulos nesse âmbito-, por meio de destinação de verbas da União e parcerias público-privas com Bancos nacionais, aumente as linhas de crédito dos pequenos produtores de alimentos como forma de incentivar essa prática. Essa ação findaria consolidar, mais ainda, as potencialidades da agricultura familiar no país, bem como promover uma economia segundo o ideal do PNUMA.