A importância da agricultura familiar no Brasil
Enviada em 26/09/2021
Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é um dos países que utiliza mais agrotóxicos no mundo. Devido a isso, o solo e as reservas subterrâneas da nação encontram-se sob risco de contaminação, pelo que torna-se essencial proteger e estimular a agricultura familiar. Esta, por sua vez, é uma maneira de produção agrícola que, além de basear-se no emprego de mão de obra própria, é destinada ao consumo interno e apresenta relações ecológicas exemplares.
Primeiramente, nota-se que, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), 80% da produção mundial de alimentos advém da agricultura familiar. Além disso, 70% dos produtos agrícolas consumidos no Brasil são cultivados por esse método. Portanto, é possível afirmar que o fruto do agronegócio dirige-se, majoritariamente, à exportação, não sendo, assim, responsável pela nutrição dos brasileiros. Ainda outro fator que faz do cultivo comunitário um método tão importante, é o fato de que esta forma de organização da lavoura se estabelece por meio do emprego da mão de obra própria. Em outras palavras, os pequenos agricultores são patrões de si mesmos, e vendem e consomem o próprio trabalho. Logo, encontram-se menos sujeitos à exploração e às condições precárias de vida, uma das maiores dificuldades que os empregados pelo agronegócio enfrentam.
Ademais, convém citar a cartilha da associação Agricultura Familiar e Agroecologia, segundo a qual um dos benefícios dessa forma de cultivar é a preservação do meio-ambiente. Isto é, a agricultura familiar não se utiliza de agrotóxicos em níveis exacerbados, não realiza queimadas e, finalmente, conserva conhecimentos culturais antigos relacionados à colheita e à distribuição. Em paralelo a isso, no Brasil, os níveis de desmatamento crescem exponencialmente, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e o aquecimento global ameaça a saúde do povo e a biodiversidade. Dessarte, a defesa dessa categoria agrícola é crucial para que seja recuperada a agenda ambiental do Brasil, para que reduzam-se os níveis de emissão de gás carbônico, e para que desenvolva-se uma cultura nacional que valorize a natureza e a ciência popular que é construída pela prática.
Em conclusão, afirma-se que o Governo Federal deve estimular e salvaguardar a agricultura familiar. Isso pode ser realizado por intermédio da proposição de uma Reforma Agrária ampla e popular, que ponha os movimentos sociais em contato com os membros das instituições responsáveis por concretizar a Reforma. Então, seria possível a redistribuição de terras para os camponeses, o que permitiria a continuidade de suas práticas ancestrais, reduziria os impactos ambientais do agronegócio e garantiria alimento para todos os brasileiros. Ademais, o contato com as organizações populares visaria a solução de problemas a curto e longo prazo, garantindo que a população seja ouvida.