A importância da agricultura familiar no Brasil

Enviada em 28/09/2021

Na década de 1960, eclodiu a Revolução Verde, que trouxe inovações no setor primário como os insumos e a inserção de transgênicos, consolidando o grande empresário, em detrimento do pequeno produtor e sua tradicional técnica. Em acordo com esse fenômeno está a questão da agricultura familiar no Brasil contemporâneo, que apesar de ser importante, encontra-se cada vez mais tangenciada socioeconomicamente. Portanto, essa problemática advém da mentalidade capitalista, que impõe a sobreposição de grupos hegemônicos com base na rentabilidade. Assim, corrobora a manutenção dessa vicissitude, não só a falibilidade administrativa do Estado, mas também a distorção da realidade produtiva alimentícia.

Nesse sentido, é importante destacar que a ineficiência da esfera pública enquanto agente de intervenção das relações econômicas contribui para a falta de reconhecimento dada ao cultivo para subsistência. Isso ocorre porque, o governo, com o objetivo de aumentar a sua arrecadação e formar base de apoio político, preconiza os investimentos e a sua atenção ao moderno agronegócio, negligenciando aqueles que se encontram à margem dessa modernização nociva. Exemplo claro desse panorama se dá na obra do filósofo francês Michel Foucault, o qual afirma que a sociedade está erguida sobre relações de poder, no caso, o poder do grande proprietário se encontra acima do poder do cultivo em família, sendo este oprimido por uma relação sustentada pelo corpo público.

Além disso, percebe-se que a doutrina capitalista de produção viabiliza a conjuntura supracitada, pois a economia hodierna visa ao capital, excluindo a ideologia do crescimento sociopolítico que o plantio proporciona aos grupos menos abastados. Essa premissa é disseminada desde o término da Guerra Fria, quando os países iniciaram um novo ideal baseado no princípio de produzir mais em um período estreito de tempo. A partir disso, as famílias produtoras não ofereciam a rapidez esperada por esse sistema econômico, fazendo com que os agricultores fiquem sem suporte.

Torna-se claro, em resumo, que o impasse é causado por fatores estatais. Logo, com o intuito de romper com o viés capitalista e incentivar o crescimento do plantio familiar, urge que o Ministério da Agricultura invista nos pequenos produtores rurais, garantindo, dessa maneira, o desenvolvimento mais equitativo e a redução da concentração de renda. Essa medida será realizada por meio de visitas técnicas dos agentes investidores do órgão acima aos latifúndios para averiguar a forma de como será utilizado o capital na área em que as sementes serão plantadas, proporcionando a parceria entre o Estado e a sociedade. Feito isso, a realidade brasileira caminharaá para a valorização dos pequenos agricultores.