A importância da agricultura familiar no Brasil
Enviada em 03/10/2021
A obra cinematográfica “Anny com e” retrata a vida de dois irmãos que, para obter subsistência e alimentar o povoado em que vivem, se utilizam da agricultura familiar. Com essa abordagem o filme revela a importância do manuseio do solo para a sobrevivência. Hodiernamente, diferente da ficção, a população rural vivencia sérios problemas para realizar o plantio de consumo, o que proporciona crises alimentares. Dessa forma, pela irresponsabilidade governamental, além do advento da globalização, essas consequências se agravam. Diantes dos fatos, faz-se necessária uma mudança de postura.
Com efeito, a irresponsabilidade governamental, no que tange à importância da agricultura familiar, é um dos fatores que fazem com que essa prática se perpetue. Nessa prerrogativa, a ausência de projetos sociais que visem à promoção de melhorias para a população rual contribui para precariedade desse setor e crise alimentar, tendo em vista ao fato de muitas famílias se utilizarem desse mecanismo para o próprio consumo. Dessa maneira, a população campestre passa a enfrentar fome, o que gera situações de degradação humana e desigualdade social. No entanto, apesar de a Constituição Federal de 1988 assegurar melhorias, como instrumentos agrícolas e distribuição de terras para a população rual, essa lei não vigora, visto que, não há investimentos voltados para essa área.
Nota-se, outrossim, que a globalização é influente nesse dilema. Nesse aspecto, a expansão do agronegócio e modernização dos métodos de plantio como, desenvolvimento de maquinários e prática de fertilização, colaboram com a relativização da agricultura familiar. Por conseguinte, de acordo com a revista “Agro”, apenas 10% dos solos campestres são voltados para o cultivo de consumo e 90% está concentrada nas mãos dos agroexportadores, a pesquisa evidencia que as inovações do manejo da terra inviabilizou a platação para subsistência familiar. Dessa forma, há a cissiparidade socioeconômica. Logo, o advento tecnocientífico, como percursor da desvalorização das das famílias no campo, concorda com Milton santos, quando afirma que, “a mundialização concentra muita terra nas mãos de pouco e pouca terra nas mãos de muitos, inviabilizando a agronomia de subsistência.
Portanto, vistos os fatos que contribuem para desvalorização da agricultura familiar, é mister uma ação estatal e midiática. Diante disso, o Ministério da Agricultura deve criar projetos para as famílias que vivem do plantio, por meio do investimento de verbas nessa área. Para tal, faz-se necessária uma maior distribuição de terras para essas pessoas e contratação de agrônomos que ensinem métodos de colheita sustentável, com o objetivo de valorizar a lavra de consumo. Ademais, cabe ao Ministério da infraestrutura limitar a concentração de agroexportadoras no ambiente rual, com o objetivo de romper com o monopólio rual. Feito isso, realidades como a de Anne, figurarão na realidade.