A importância da agricultura familiar no Brasil
Enviada em 03/10/2021
Segundo a Organização das Nações Unidas, os produtos da agricultura familiar representam mais de 80% dos alimentos brasileiros, mas possuem um território muito menor se comparado aos latifúndios. Sob essa análise, é evidente que a agricultura praticada por grupos familiares, apesar de abastecer a nação, ainda não possui a importância devida, o que prejudica a continuação dessa prática sustentável. Nesse sentido, emerge um problema complexo em virtude da priorização de interesses financeiros e da falta de conhecimento popular.
Em primeiro plano, a prioridade maior dada ao capital em detrimento do cultivo familiar caracteriza-se como causa latente da questão. A esse respeito, o filósofo Karl Marx defende, na obra “O Capital”, que o foco é o lucro em uma sociedade capitalista. Consoante à tese do intelectual, percebe-se que a carência de importância dada à agricultura familiar é um reflexo, em parte, da sua baixa mobilização capital, o que possibilita a desvalorização dessa modalidade de plantio pelos grandes latifundiários que possuem seu foco no sistema de exportação de produtos e alimentos, de modo a gerar uma grande lucratividade. Diante disso, seja pelas percas na produção devido ao não uso de agrotóxicos e outros controles químicos que gera a redução dos lucros, seja pela ausência de investimento governamental devido em terras e insumos necessários na agricultura familar, essa prática torna-se banalizada. Assim, é substancial retirar a prioridade capitalista para promover a importância da plantação das famílias.
Além disso, o déficit de entendimento popular contorna a situação. Nesse contexto, o sociólogo Émile Durkheim afirma que o ser humano só poderá agir quando entender e conhecer a realidade em que vive. Nessa lógica, por não entenderem o funcionamento de uma agricultura familiar, as pessoas não percebem, de forma plena, a sua importância e as suas propostas, como a utilização de métodos sustentáveis e orgânicos, diminuindo, por exemplo, as intoxicações por substâncias químicas e o desmatamento massivo. Nesse âmbito, essa realidade de falta de conhecimento é fomentada, ora pela pouca abordagem da plantação familar em aulas de biologia por palestras e debates nas escolas públicas , ora pelo silenciamento dessa modalidade de agricultura por propagandas que estimulam o uso do método tradicional em programas televisivos e nas vendas de produtos agrícolas químicos.
Portanto, com a finalidade de tornar a agricultura familiar valorizada e reconhecida, cabe ao Ministério do Meio Ambiente formular um programa que financie o plantio familiar, além de evidenciar, em propagandas televisivas e rádios locais, os benefícios sociais e ambientais dessa prática. Isso deve ser feito por meio da destinação dessa estratégia na Base de Diretrizes Orçamentárias, órgão que avalia feitos públicos. Logo, a popularização e a valorização do plantio familar serão verificadas no Brasil.