A importância da agricultura familiar no Brasil

Enviada em 11/11/2021

Na novela “O Cravo e a Rosa”, o personagem Petruchio sustenta sua família com a venda, nas feiras locais as quais também é consumidor, dos queijos artesanais produzidos na sua fazenda. De fato, esse cenário não se limita às obras ficcionais e demonstra como a produção de subsistência benéfica uma região. Nesse sentido, debater acerca da importância da agricultura familiar é pertinente ao contexto brasileiro. Sobre essa perspectiva, é apropriado alegar que o sistema econômico vigente é contrário a esse tipo de cultivo e é de responsabilidade do Estado garantir a preservação dele.

Deve-se pontuar, antes de tudo, que devido o advento da Revolução Verde, a lógica capitalista de produção em massa foi levada ao campo, com a implementação de insumos agrícolas e o uso de latifúndios para ampliar a capacidade produtiva. Nessa lógica é válido afirmar que, a alta tecnologia aplicada e a concentração das terras, encareceu a vida no campo e dificultou a competitividade do pequeno produtor. Segundo o médico Drauzio Varella, no Brasil, os agrotóxicos são usados mais que o recomendado e o consumo prolongado deles está relacionado ao surgimento de câncer. Logo, presume-se que por não ter acesso excessivo aos pesticidas, a agricultura familiar é mais saudável, no entanto essa produção não consegue se inserir no mercado tão amplamente.

Ademais, a dificuldade dessa inserção faz com que os pequenos agricultores optem por vender em lugares próximos o que contribui para a movimentação da economia local. Dentre esses efeitos, em 2015, o Brasil se comprometeu em realizar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável propostos pela Organização das Nações Unidas(ONU), nos quais uma das metas é auxiliar a ampliação da agricultura sustentável feita pelos pequeno produtores. Por certo, a qualidade saudável dos produtos e o complemento às finanças regionais exemplificam a importância da agricultura familiar e promové-la é essencial para a imagem do país no exterior. Desse modo, percebe-se certa urgência na aplicabilidade do acordo internacional.

Torna-se evidente, portanto, que casos como o do Petruchio precisam ser incentivados pelo Estado. Assim, cabe ao Ministério da Agricultura, com ações da união dos poderes executivos, criar um projeto, com foco em aumentar a renda dos pequenos agricultores, por meio do fornecimento de vantagens financeiras aos grandes comércios locais que adotem esses produtos, como isenção de impostos, a fim de ampliar o mercado consumidor dos produtores de subsistência. Além disso, esse projeto deve oferecer mais benefícios, por intermédio do subsídio de insumos agrícolas não prejudiciais à saúde humana, com o intuito de auxiliar o crescimento desse tipo de produção. Enfim, a partir dessas ações, o Brasil colocará em prática a meta idealizada pela ONU.