A importância da agricultura familiar no Brasil
Enviada em 04/11/2021
É certo que após a Revolução Verde, ocorrida no século XX, o mercado agrário se desenvolveu sobremaneira no meio técnico-científico-informacional, com a introdução de inúmeras tecnologias efetivas no aumento da produção. Contudo, apesar do progresso apresentado, o processo intensificou o modelo de agroexportação no Brasil, feito pelo oligopólio do setor primário, o que desfavoreceu o abastecimento interno. Dessa forma, a agricultura familiar apresenta-se de maneira essencial no país, devido a capacidade de disponibilização de alimentos menos afetados pelos agrotóxicos, somado à garantia de produtos destinados aos mercados locais.
Sob essa ótica, a forma de produção hodierna está deliberadamente associada à utilização de defensivos agrícolas, muitas vezes legalizados sem a concepção de estudos científicos, associados às consequências do consumo. Diante disso, o documentário norte americano “Take Your Pills” relata a utilização de metanfetamina como remédio de criança no século XX, antes dos estudos científicos, que atualmente comprovam os malefícios como produto. Análogo a isso, o excesso de agrotóxicos não possui estudos concretos acerca dos riscos ao corpo humano, o que revela uma característica positiva da agricultura familiar: a produção orgânica. Nessa perspectiva, a agricultura familiar contribui para a saúde da população pois está menos atrelada ao uso exacerbado de pesticidas, e serve como alternativa para o consumo de insumos agrícolas, até o desenvolvimento de pesquisas aprofundadas.
Além disso, os pequenos agricultores são majoritariamente responsáveis pelo abastecimento do mercado interno de cidades interioranas, pouco contempladas pelo modelo de agroexportação. Nesse viés, o erro do economista britânico, Thomas Malthus, ao prever a fome do mundo por meio da matemática, foi desconsiderar os avanços tecnológicos da sociedade, que aumentou a produção de alimentos e disponibilizou o suficiente para erradicar a fome. Porém, o que ocorre na realidade é a concentração desses produtos mecanizados em polos industriais, e estão desassociados ao cosumo da própria população nacional. Logo, analisa-se a relevância da agricultura familiar como meio de distribuição e abastecimento de comida no país, que apesar de desassociada à industrialização da zona rural retratada, supre a necessidade de mercados municipais em todo o território.
Evidencia-se, portanto, que para aumentar a produtividade da agricultura familiar e melhorar a qualidade de vida dos indivíduos associados à esse modelo, é importante o Ministério da Agricultura ampliar o apoio aos pequenos agricultores, por meio da disponibilização de cursos gratuitos na zona rural, feitos por engenheiros agrônomos especializados em produção orgânica, que instruam a melhor utilização do solo e a melhoria do potencial produtivo da região.