A importância da agricultura familiar no Brasil
Enviada em 04/11/2021
Com a Revolução Verde, a partir da década de 1960, o Brasil experimentou um período de grandes transformações no setor agropecuário, e como consequência da mecanização do campo, uso de fertilizantes, agrotóxicos e sementes transgênicas, a produção de alimentos teve um grande aumento. No entanto, essa transformação que deveria minimizar os impactos da desigualdade social, através do combate à fome, se tornou a responsável por ressaltar problemas de concentração fundiária e conflitos rurais, visto que os indivíduos beneficiados com essa revolução foram os grandes produtores rurais, que possuiam capital para investir. Dessa forma, os pequenos produtores que praticavam agricultura familiar, foram sendo tragados pelo agronegócio, pois, embora sendo importantes para o comércio interno, não recebem tanto crédito Governamental, gerando déficit na “mesa dos brasileiros”.
A agricultura familiar, diferente do agronegócio, é voltada não somente para o subsistência em uma propriedade, mas também, é a maior responsável pelo abastecimento alimentar interno do país. De acordo com o IBGE, 70% dos alimentos consumidos no país vem desse tipo de agricultura, e essa produção se concentra apenas em 23% das terras agricultáveis do país. Sendo assim, vê se que um dos grandes problemas existentes é a concentração fundiária, pois, o restante das terras são destinadas ao agronegócio.
De acordo com o IBGE, através do Censo Agropecuário de 2017, os estabelecimentos classificados como de agricultura familiar tiveram uma redução de 9,5% em relação ao último Censo, de 2006. Esse dado mostra a grande desigualdade existente, pois, uma parte minoritária de todo financiamento disponível para agricultura destina-se aos pequenos produtores. Portanto, como eles podem continuar a exercer seu ofício, sem receberem assistência financeira? Logo, o quadro que tem sido projetado, é o encarecimento de produtos de primeira necessidade, já que esses tem se tornado insuficiente, e consequentemente, tem sido importados, consequência essa da falta de incentivos para a agricultura familiar.
A partir do que foi exposto, é necessário que o Governo, através do INCRA, reorganize a estrutura fundiária do Brasil, promovendo assim, a distribuição de um percentual maior destinado ao plantio familiar, reduzindo as desigualdades no âmbito rural, bem como, elevando a produção alimentar destinada ao comércio interno. Além disso, é necessário que o Ministério da Agricultura, através do PRONAF, aumente as condições de crédito ofertadas aos pequenos agricultores, incentivando o desenvolvimento desse ofício, melhorando a disponibilidade dos alimentos na mesa dos brasileiros.