A importância da agricultura familiar no Brasil
Enviada em 07/11/2021
O período de transição entre o nomadismo e o sedentarismo, advindo a partir do surgimento da agricultura, foi um momento de profundas mudanças, já que, permitira ao homem construir novas civilizações e, consequentemente, o possibilitou obter maiores êxitos em seu progresso tecnológico. Com o passar do tempo, nota-se como essa agricultura e, em especial, a agricultura familiar tem sido uma peça chave para o desenvolvimento social e econômico do Brasil, haja vista ser uma atividade econômica que promove o sustento de muitas comunidades rurais, e que, por conseguinte, evita a ocorrência de inúmeros problemas socioespaciais inseridos no ambito urbano e regional brasileiro.
Sob esse viés, cabe salientar, primeiramente, como as práticas agrárias adentradas nas pequenas comunidades mostram-se fundamentais na perspectiva de viabilizar a manutenção e a sobrevivência desses povos. Para tanto, vale fazer ressalva ao livro “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, no qual ele fala da dura vida de Fabiano e de seus familiares, que em meio à escassez e a infertilidade das terras do Sertão, esses retirantes se veêm obrigados a se deslocarem de tempos em tempos em busca de áreas menos castigadas pela seca. Nesse sentido, compreende-se a importância que a agricultura familiar tem no quesito social brasileiro, pois não apenas Fabiano, mas inúmeras outras famílias necessitam desta atividade para conseguirem se sustentar. Este sustento provém não só pelo cultivo de alimentos, como também pela aquisição de novos empregos, como apontam dados da CNA, os quais revelaram que só a agropecuária brasileira gerou mais de 113 mil empregos formais entre janeiro a maio de 2021.
Por conseguinte, quando esse suporte alimentar e financeiro não vêm, muitos problemas assossiados a fenômenos socioespaciais tornam a surgir, como o êxodo rural e a transumância. Assim sendo, vale destacar a acentuada migração de nordestinos rumo à região sudeste brasileira que se dera, mais intensamente, durante a segunda metade do século XX. A realidade em si suscitou muitos problemas, pois diante de uma notória vinda de imigrantes, os grandes centros urbanos cresceram de uma maneira exponencial, o que colaborou ao surgimento de um fenômeno conhecido como “Inchaço Urbano”, atrelado ao crescimento desordenado de inúmeras favelas nas metrópoles brasileiras.
Depreende-se, portanto, que o Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), em parceria com o Ministério da Agricultura (MAPA), invista mais em programas como o “Minha Casa, Minha Vida”, mas que visem incentivar a evolução e o crescimento da agricultura familiar nacional. Tudo isso por meio da delimitação de campos e áreas específicas, a fim de proporcionar o desenvolvimento de práticas agrárias entre as sociedades campestres mais carentes do país. Desse modo, situações como as vivenciadas pela família de Fabiano deixarão de ser realidade entre as comunidades rurais brasileiras.