A importância da agricultura familiar no Brasil
Enviada em 08/11/2021
A obra modernista ‘‘Vidas Secas’’, do escritor Graciliano Ramos, aborda a temática da agricultura familiar, visto que Fabiano, um dos personagens, muitas vezes, dependia dessa modalidade para sobreviver à fome. Sob essa ótica, nota-se que, apesar da importância do plantio familiar, esse método é desvalorizado no país, seja pela falta de investimentos públicos, seja pela grave concentração de terras nacionais. Logo, é fundamental mitigar esse cenário retrógrado da esfera social.
Nesse contexto, deve-se pontuar que o desestímulo à agricultura familiar ocorre, em parte, pelo descaso do poder público, visto que há uma prioridade para culturas plantadas em latifúndios. A esse respeito, o documentário ‘‘O veneno está na mesa’’ deixa bem claro que o corpo político atua, majoritariamente, em prol dos grandes produtores rurais, pois boa parte dos incentivos fiscais são destinados a essa classe. Assim, percebe-se a hostilidade com que a União trata a agricultura familiar que tenta sobreviver, até mesmo, com os próprios recursos dos pequenos produtores, já que fomentar essa modalidade não é uma prioridade estatal que está mais engajada na ‘’lucratividade’’ latifundiária.
Além disso, vale ressaltar que o plantio familiar enfrenta, também, as dificuldades relacionadas à concentração de terras nacionais, pois essa má distribuição impede que pequenos agricultores expandam suas plantações, por exemplo. Nessa perspectiva, o filme ‘‘Ser Tão Velho Cerrado’’ ratifica que o centro- oeste brasileiro é marcado pela extrema concentração de terras nas mãos de grandes latifundiários que, inclusive, sabotam pequenos produtores da região. Desse modo, é notável a gravidade dessa segregação no campo, haja vista que benefícios do plantio familiar não são favorecidos, como a plantação de alguns produtos orgânicos ou isentos de agrotóxicos. Então, fica evidente a importância de atenuar essa disputa, desigual, nas terras brasileiras.
Portanto, e imprescindível que a agricultura familiar seja valorizada no Brasil. Posto isso, cabe ao Ministério da Agricultura, por meio de verbas federias, subsidiar parte da plantação dos pequenos produtores, em todo território nacional. Dessa forma, esses agricultores serão cadastrados nas prefeituras locais e receberão, semestralmente, recursos estatais para a compra de insumos agrícolas, no fito de fomentar essa modalidade de plantio. Ademais, cabe à União investir em novas políticas de reforma agrária, a fim de atenuar a concentração de terras. Feito isso, a realidade da agricultura familiar será diferente da de Fabiano, do livro ‘‘Vidas Secas’’.