A importância da agricultura familiar no Brasil

Enviada em 21/01/2022

No livro “Sapiens: Uma breve história da humanidade”, o autor Yuval Noah Harari reflete sobre várias temáticas referentes ao curso do ser humano ao longo da história, dentre elas a revolução agrícola, que ocorreu há cerca de 10 mil anos e foi um processo de sedentarização dos povos nômades que obtiveram uma maior segurança alimentar devido ao domínio de práticas de cultivo. Durante esses anos, tais práticas foram transmitidas e aprimoradas, resultando em saberes que unem a produção de alimentos com o desenvolvimento sustentável. No entanto, atualmente observa-se que, na conjuntura brasileira contemporânea, esses conhecimentos são ofuscados pela falta de incentivos governamentais aos agricultores familiares que ainda possuem os saberes tradicionais e pelo domínio do agronegócio.

Inicialmente, é imperioso notar que a negligência estatal potencializa a diminuição de famílias praticantes de agricultura. Esse contexto de inoperância das esferas de poder exemplifica a teoria das “Instituições Zumbis”, do sociólogo Zygmunt Bauman, que as descreve como presentes na sociedade, todavia sem cumprirem sua função social com eficácia. Sob essa ótica, devido à baixa atuação das autoridades, muitas famílias são obrigadas a abandonarem o cultivo em suas propriedades, porque não são apoiadas em tempos de pouca colheita e também não recebem informações sobre como otimizar mais ainda o processo produtivo, ocasionando uma perda imensurável para toda sociedade, que poderia usufruir de alimentos mias saudáveis e de um meio ambiente menos afetado.

Ademais, é igualmente preciso apontar a soberania daqueles que praticam a agricultura extensiva sobre as terras brasileiras como outro fator que contribui para a manutenção do imbróglio. Nesse sentido, segundo o senso agropecuário de 2017, apenas 23% das terras cultiváveis estão em posse de pequenos produtores, enquanto a maioria esmagadora é destinada ao agronegócio. Diante de tal exposto, é notório que a concentração fundiária deve ser combatida, devido ao fato de que essas são indubitavelmente mais danosas aos ecossistemas e também visam primordialmente a exportação, causando desse modo grande inflação em alimentos, haja vista que o poder de câmbio do real é pífio comparado às moedas estrangeiras, como o dólar.

Cabe ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, portanto, por meio das prefeituras - orgãos que possuem um contato mais direto com a população - promover não só apoio financeiro às famílias produtoras de alimentos em épocas de baixa remuneração, como também novos conhecimentos de como garantir uma colheita mais proveitosa para que todos brasileiros possam desfrutar de alimentação mais sadia e sustentável. Paralelamente, o Governo Federal deverá redistribuir terras que não estão sendo produtivas e fiscalizar arduamente quem danifica a natureza.