A importância da agricultura familiar no Brasil

Enviada em 07/03/2022

Na lira “Marília de Dirceu”, do poeta árcade Tomás Antônio Gonzaga, é retratado o “locus amoenus”, que representa uma vida serena no campo, com a presença da agricultura de subsistência. Desse modo, esse período literário enalteceu a simplicidade rural e os elos afetivos da agricultura familiar. Contudo, na prática isso não acontece, pois no país tupiniquim esses trabalhores sofrem com o poderio do agronegócio e com o desemprego estrutural.

Com efeito, o filósofo Nick Couldry dissertou em sua obra, “Porque a voz importa?”, acerca do fenômeno da sociedade hodierna, a qual silencia os grupos menos favorecidos. Logo, evidencia-se que os pequenos agricultores têm seus direitos reduzidos, pois o Estado prefere manter a estrutura do agronegócio: o latifúndio e a monocultura. Nesse viés, destaca-se o enfoque de investimento estatal destinado à agricultura de exportação e o descaso o qual é dado para o mercado familiar, já que esse não detém tanto lucro e poder.

Outrossim, é importante evidenciar o conceito de desemprego estrutural, proposto pelo geógrafo Milton Santos, o qual consiste na substituição do trabalhador por máquinas. Nesse contexto, é indubitável que esse fenômeno está acontecendo há décadas no meio rural, e essa troca torna a competição com o poderoso agronegócio completamente ilegítima. Por conseguinte, os pequenos trabalhadores usam mão de obra “mais cara”, pois essa produz menos, e ainda precisam lutar contra as frequentes secas e as pragas agrícolas.

Destarte, são necessárias ações concretas para assegurar os direitos da agricultura familiar. Para tanto, o poder público, por meio do Ministério da Agricultura, deve fornecer seguridade social e econômica para essa classe, por intermédio de incentivos fiscais, como a isenção do imposto de renda e o oferecimento de crédito com baixos juros em períodos de seca. Desse modo, os trabalhadores podem manter suas terras e criar uma valorização da vida rural como era no arcadismo.