A importância da agricultura familiar no Brasil
Enviada em 13/07/2022
“O Brasil é o país do fututo” enunciou Stephan Zweig em uma de suas primeiras vindas ao país. O historiador judeu saiu da Europa durante o comando Adolph Hitler e encontrou sua nova morada na América do Sul. Lastimavelmente, seu presságio não se concluiu, visto que o governo segue incentivando os latifundiários por meio de subsídios e deixa de apoiar a agricultura familiar, responsável pela alimentação da população e pela manutenção de um meio ambiente mais saudável.
Sob esse viés, destavca-se que os pequenos agricultores produzem a maior parte dos alimentos consumidos no país. De acordo com a Organização das Nações Unidas, apenas 20% dos produtos que chegam no prato da população são originários da agricultura patronal. Embora esse tipo de negócio seja menos relevante do que o familiar no que tange a supressão de necessidades básicas, a maioria das regalias orçamentárias são destinadas a esse setor, comprometendo a viabilidade dos que alimentam o mundo. Nesse contexto, urge que o poder público aja para reverter esse cenário.
Além disso, a diversificação das espécies cultivas pelos pequenos agricultores, os conhecimentos e técnicas aplicadas nos processos contribuem para a qualidade do solo e para saúde do ser humano. Segundo o documentário “Solo Fértil”, a monocultura e o elevado uso de agrotóxicos comprometem a terra, a qual se torna mais pobre em nutrientes e minerais. Ainda, as grandes concentrações de defensivos agrícolas utilizadas chegam ao organismo dos cidadãos por meio da alimentação, fazendo com que doenças, como o câncer, sejam desencadeadas. Assim, os investimentos nos pequenos produtores asseguram não só a soberania alimentar, mas também a qualidade de vida dos brasileiros.
Portanto, para que a importância da agricultura familiar seja reconhecida, é necessário que o Ministério da Agricultura e no Meio Ambiente, por meio de um projeto de lei a ser encaminhado à Câmara dos Deputados, exija a instituição de subsídios aos pequenos produtores. Tais incentivos deverão ser destinados aos indivíduos que comprovem a utilização de técnicas seguras aos ecossistemas, como a variedade de espécies cultivadas e a ausência de substâncias químicas que sejam maléficas para o metabolismo humano. Dessa forma, espera-se que a atividade cresça e garanta a construção de um país como o imaginado por Zweig.