A importância da cultura digital no mercado de trabalho

Enviada em 09/07/2020

O enaltecimento da máquina e da ciência, presente na literatura futurista de Filippo Marinetti, transcendeu dos versos para a realidade contemporânea dos brasileiros. Contudo, tamanha valorização concebeu o enraizamento de um regime tecnológico, que, introjetado pela nova era informacional, revoluciona as relações de trabalho e consolida a participação substancial da digitalização dos meios no ambiente laboral.

Em meio às normas desse sistema, é importante ressaltar que os indivíduos estão cada vez mais expostos a um intenso fluxo de informações e de tendências fornecidas pelas grandes mídias, que, consoantes ao advento das novas tecnologias, influenciam as estratégias de mercado. De acordo com o professor e sociólogo Octávio Ianni, vive-se, então, o fenômeno da “fábrica global”, uma metáfora que explica a globalização digital como uma reterritorialização de parâmetros que permite novas percepções e consequentes metamorfoses sociais. Desse modo, a integração universal, aliada à digitalização, institucionaliza a inovação dos métodos de comunicação e confere às corporações o redimensionamento do tempo e do espaço nas estruturas de trabalho.

Somado a isso, presencia-se um forte poder de influência da Revolução Industrial: ao instituir, ainda no início do século XIX, o modo de superprodução vigente, que postulou o desenvolvimento tecnológico para suprir as suas demandas. As projeções desse cenário são vista quando, seja por questões financeiras, seja por estagnação operacional, o pouco investimento em ferramentas digitais compromete a agilidade de processos, dificulta a comunicação e impede a ampliação de oportunidades. A partir desse conservadorismo tecnológico, a organização, diante da prevalência da superprodução industrial e de serviços, não atende às exigências do mercado consumidor e prejudica o seu desenvolvimento.

Compreende-se, portanto, a importância da cultura digital e a necessidade de sua universalização no ambiente laborativo. Convém, dessa forma, a atuação incisiva do Governo Federal, unido ao Ministério da Economia, na elaboração de um projeto de lei que vise a garantir um capital de incentivo tecnológico às micro e pequenas empresas, por meio de financiamento público, com o objetivo de aprimorar suas funções e serviços, bem como de acompanhar as evoluções mercadológicas. À vista disso, será possível impulsionar a tese de Ianni e revolucionar as perspectivas de trabalho.