A importância da cultura digital no mercado de trabalho

Enviada em 11/07/2020

De acordo com o filósofo Pierre Levy,  " toda nova tecnologia cria seus excluídos". Nesse sentido, isso se comprova com a revolução industrial, a qual a mão de obra humana começou a ser substituída massivamente por máquinas, até a contemporaneidade, em que funções antes atribuídas apenas a humanos, como motoristas e atendentes, passam a ser executas por novas tecnologias. Desse modo, ao apresentar uma cultura cada vez mais digital, a sociedade exige novas formas de tratar com essa questão, deve-se então, tanto rever a forma como é feita a jornada de trabalho quanto incentivar a formação de profissionais especializados no contexto digital.

A princípio, é válido ressaltar que a adaptação ao rápido desenvolvimento tecnológico é fundamental. Com isso, vale analisar o contexto das cidades grandes em que a rotina é marcada por falta de mobilidade urbana e poluição, o que leva a jornada de trabalho se estender além das 8 horas previstas.  Nesse contexto, para reduzir tal carga estressante de afazeres e aumentar a mobilidade urbana, é necessário a formação de novos vínculos empregatícios, nos quais há a possibilidade de ser executado o home office- tralhar doméstico-, como os escritórios de contabilidade. Diante disso, é notório a importância da democratização à cultura digital.

Outrossim, é fundamental, também, a formação digital dos profissionais. Nesse sentido, é de conhecimento público que parte da população, principalmente a de mais idade, ainda é analfabeta digital, isto é, ainda não se adaptou a tais tecnologias, caracterizando-se os “excluídos” digitais. Diante disso, parte desses é destinada ao desemprego ou a serviços pesados a baixos salários. Tal cenário identificasse ao conceito de Cidadanias Mutiladas de Milton Santos o qual diz que a democracia, fundamental para o desenvolvimento de um povo, só é efetiva quando atinge a totalidade do corpo social, na medida em que os direitos são universais e desfrutados por todos os cidadão. Desse modo fica claro a necessidade de adaptações ao contexto empregatício atual.

Torna-se evidente, portanto, a necessidade de adaptar o mercado de trabalho a era digital. Dessa maneira, urge que o Ministério da Educação, em parceria com grandes empresas de informática, desenvolva e aplique cursos de informática voltados ao mercado de trabalho nas escolas municipais, de forma gratuita e abertos ao público interessado, para que assim o direito a real cidadania seja garantido. Cabe, também, ao Estado, exigir, quando possível, que parte das vagas de emprego sejam destinadas ao home office, garantindo assim melhor qualidade de vida, tanto aos que trabalharem em suas residência, quanto aos que irão ao local de trabalho com um transito reduzido.